A arte de ser só…

A arte de ser só
O ser humano é o ser da falta. Sempre irá existir uma incompletude pertubadora. A sensação de que as coisas poderiam ser melhores. De que nós poderíamos ser diferentes…
Alguns teóricos motivacionais dizem que é esta falta que nos movimenta, que nos faz perceber uma necessidade e tentar supri-la. Nesse sentido, viver sozinho pode ser considerado uma arte. Exige habilidade de viver e de dar um significado diferente ao que está a sua volta. Ser feliz de uma outra maneira, mesmo com a falta…
Acredito que a necessidade de amor esta presente no ser humano. É importante nos sentirmos amados, queridos, percebermos que fazemos falta para alguém. Acho engraçado lembrar que quando era menina, entrei em um funeral porque tive a curiosidade de saber quem havia morrido. Quando olhei para dentro do caixão havia uma velhinha com muitas rugas e cabelo branco. Olhei em volta e ninguém parecia importar-se com a morte dela. O cenário, exceto pelo local e pelo caixão, era semelhante ao de uma reunião social. Após perceber que algumas pessoas estavam rindo num cantinho, comecei a chorar. Ninguém entendeu nada…Quem é essa menina? alguém perguntou. Ela a conhecia? Outro sussurou. A expressão de espanto vez com que eu chorasse ainda mais. Saí sem que ninguém entendesse nada…
No meu coração levei uma lição: “quero viver de forma que as pessoas fiquem tristes quando eu morrer”. Dias depois vi um velhinho, que parecia triste, mendigando na rodoviária e pensei: “quero fazer minha vida valer a pena”. Esses dois personagens me deram uma lição que parece simples, quase óbvia: existem algumas coisas que são mais importantes do que as outras. É muito difícil, certas vezes, distinguir o que é realmente importante. Mas após pensar um pouco, cada um de nós saberá responder. A vida nos fará decidir várias vezes, se elas estarão ou não em primeiro lugar. Caberá a nós decidirmos. Muitas vezes, não é fácil. Nem sempre o mais importante é o mais urgente…
Na faculdade, costumava perguntar aos meus alunos no ínicio da aula sobre o que os motivava a viver. As respostas não sofriam muita variação. Quase sempre eles diziam: Deus, família, amigos, trabalho ( futuro profissional) e sonhos. Talvez, aqui estejam algumas pistas do que é importante!
Encontrar o grande amor da vida é apenas uma parte da figura de uma vida feliz. Muitas outras pessoas e coisas devem estar presentes para que ela seja percebida com bem sucedida. Focar apenas no que falta pode ser um armadilha perigosa. Como disse no começo, dificilmente, você se sentirá completo. Estamos fadados a busca. O que podemos decidir é como essa busca será. Se será otimista, tendo em vista tudo o que somos e possuímos como família , amigos, trabalho etc. ou se será pessimista, como se a felicidade só fosse possível com um companheiro. Não estou dizendo para que pare de procurar alguém e seja feliz sozinho. O que enfatizo é o foco em apenas um fator e não perceber as outras peças importantes que compõem o quebra-cabeças da satisfação.
Não sei se o mendigo estava satisfesto com a escolhas que fez. Tão pouco, se a velhinha que citei foi feliz . Mas, aprendi com eles. Nossa escolhas influenciam o resto de nossas vidas.
As pessoas casadas ou com um companheiro, às vezes, reclaman que gostariam de terem vivido outras experiências e conhecido outras pessoas antes de casarem-se. Também não é rara a queixa de falta de tempo para fazer “suas coisas” e terem tempo “só para si”. Agora mesmo, esta difícil acabar de escrever este artigo com minha filhinha me puxando…
Vou escolher ficar com ela…O que é importante para você? escolha isso! E tenha em mente que ter um parceiro envolve ter algumas coisas e deixar outras. Se escolher ter um, vá em frente! Se escolher ficar só, lembre-se de que não está sozinha, pois sempre terá algumas coisas e lhe faltarão outras…
Sobre a Autora: Eliana Monteiro é Mestre em Sexologia, Especialista em “Sexualidade Humana” e em “Gestão de Pessoas e Projetos Sociais”. É Graduada em Psicologia e Teologia, professora universitária e autora de várias pesquisas realizadas e divulgadas no Brasil e no exterior.
Quer ler outros outros artigos da autora? É só escrever Eliana Monteiro na área de pesquisa do site http://soumulher.pt

 

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