A galinha do vizinho é sempre melhor que a nossa?

O ser humano possuí imensas necessidades, que vão desde as mais básicas até às mais complexas e outras até, que eu consideraria de hilariantes. O termo “hilariantes” talvez por serem ridículas, pois hoje em dia tem quem viva as suas vidas espiolhando a vida alheia. Algumas pessoas camuflam-se por debaixo de uma ocupação, que no fundo não lhe ocupa verdadeiramente, quando na realidade andam mortinhos para saber da vida do outro.

Alguns até viajam, dão voltas ao mundo, vão e vêm, encharcados de abundância e outros que não fizeram o que queriam, porque pararam no tempo. Fazem as perguntas mais básicas e inoportunas, ou simplesmente “espiam” atentamente, uns através de outros ou de alguém conhecido, a vida do próximo que lhe causa tanto desdém e curiosidade.

Será a galinha do vizinho sempre a melhor que a nossa? A vizinha que comprou um carro novo, que tem casa nova, que arranjou marido rico, que veste roupa de marca e vai sempre de férias para paraísos tropicais… Porque causa tanta comichão e confusão na cabeça dos outros? E afinal de contas, porque certas pessoas não se concentram e não se contentam com as suas próprias vidas?

A vida e o quotidiano já exige um esforço tão grande por si só da nossa parte, então para quê darmo-nos ao trabalho de querermos saber pormenores da vida alheia, por mais ínfimos que sejam? Não consigo dizer se o mal é da cultura deste país ou se das próprias pessoas, mas existe um pouco por todo o lado, espalhado por aí. A minha vida e a minha cabeça já são tão ou demasiado ocupadas, ando sempre tão focada nos meus próprios objectivos, que por não me sobrar tempo nem interesse para mais nada, penso que todas as outras pessoas serão iguais…

Infelizmente a realidade é diferente e nada disto é assim. É profunda e tamanha ilusão, estas ideias. O que seria perfeito seriam as pessoas terem tanto interesse na minha vida, como o interesse que eu tenho na delas, que é absolutamente nenhum.

Saber que os outros estão bem ou se precisam de alguma coisa para poder ajudar, deveria ser o único motivo genuíno de preocupação e amizade, porque deveríamos querer saber dos nossos próximos, em vez de andar com inquéritos das formas mais inconvenientes possíveis, em que alguns casos chega a ser rude, só pelo tom e perguntas que fazem.

Existem no fundo, uma catrefada sem fim da “indesejada das gentes” de vários tipos… Uns mais maliciosos e infelizes, que passam a vida a espiolhar do seu cantinho, a ver se o outro se lixa mais dia menos dia, naquela maldade a ver até onde vai parar aquele “sucesso”.

Depois existe o outro, que procura um desgraçadinho para bode expiatório, para levar com a culpa de seus fracassos e esconder as suas escuridões… O que não faltam é motivos infindáveis da curiosidade alheia. Por isso, nada melhor do que andar na nossa vida, sossegados no nosso cantinho e dar valor às pessoas que não “pintam” máscaras, escondendo-se debaixo daquilo que elas não são, para não mostrarem os seus reais sentimentos e formas de ser, que tanto apregoam nas “missas” ou os que dizem que vão elas.

Afinal para quê tanto questionário incisivo e inoportuno sobre a vida alheia, fazendo-nos parecer uns limitados sem instrução básica, mal abrimos a boca? Que se saiba, tudo aquilo que necessitamos saber está bem à vista do olho comum e é de fácil alcance a todos. Bastam apenas dois dedos de testa e dois olhos na cara também, para se tirarem as próprias ilações. E agora com as redes sociais, mais informações se tem, para o bem ou para o mal.

Infelizmente por motivos que nos transcendem vai haver sempre alguém a falar mal. Vai haver sempre alguém a julgar e a tirar as conclusões e as ideias mais injustas e erradas, por mero desdém e pura infelicidade, ou porque ouviu de outro e não viu por si próprio, ou porque socialmente lhe convém “ostracizar” e pensar mal do dito “escolhido”. Vão querer sempre pintar um monstro em quem se safou sozinho, em quem não abriu a boca para se pronunciar durante o seu caminho e sabemos lá nós o que ele já teve que passar ou as coisas por que teve de renunciar!

Vão querer sempre arranjar desculpas ou falcatruas para sabotar o sucesso do “amigo”. E no fim de contas, se pararmos todos para pensar, como seres racionais, se cada um tem o que tem, foi porque fez para o ter e teve a audácia e a habilidade e os meios suficientes para isso. A fortuna do nosso próximo e do nosso amigo é uma bênção, e nós como bons seres humanos educados que somos, deveríamos estar felizes por isso. Quem somo nós para julgar seja o que for?

Enviado por: Rute Martins

 

 

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