As mulheres e a auto-estima

Esta semana dei-me conta que há que falar mais sobre este tema e, se possível, dos mais variados pontos de vista. Parece-me que continua muito activo o modelo da ‘mulher perfeita’ que tem de apagar todos os fogos, chegar a todo o lado, cuidar dos filhos e do marido com mestria, fazê-lo todo muito muito bem, cozinhar mil pratos como a melhor das cozinheiras, engomar, lavar a loiça, manter a casa num brilho e ainda ser uma óptima profissional, a melhor das amigas e sempre presente para ajudar todos os que dela necessitam…

Ora, eu pergunto-me, no meio desta exigência toda, onde será que resta tempo para ela própria? Esquecemo-nos que, para darmos com qualidade e presença aos que nos rodeiam, temos que necessariamente nutrir-nos a nós próprias para não corrermos o risco de chegar ao ponto de começarmos a dar a partir do vazio que criamos no nosso interior por não nos darmos a devida atenção e nos pormos sempre em último lugar.

Poderá desculpar-se dizendo: ‘Oh, isso é muito egoísta! Eu estou bem assim.’ Mas se for sincera consigo própria dar-se-á conta de que, na verdade, muitas vezes o nosso ímpeto de dar não é assim tão altruísta como nos quer parecer à primeira vista. Damos para obter aprovação dos outros, para sermos consideradas boas esposas, mães perfeitas, excelentes profissionais e, já agora, a melhor amiga à face da terra… E porque buscamos essa aprovação? Porque não nos oferecemos o devido reconhecimento e valorização a nós próprias e portanto temos de procurá-la fora de nós.

Portanto, se experimentássemos dar-nos essa aprovação e reconhecimento todos os dias, talvez nos déssemos conta de que já não precisamos que ninguém nos valide e até começaríamos a dar aos outros sem esperar absolutamente nada em troca porque já não precisamos que isso venha de fora e aí daríamos pelo mero prazer de dar.  Ora, isto soa a egoísta? Não me parece.

Então, se não tem absolutamente nada que ver com egoísmo, o que é a auto-estima afinal? A auto-estima é o valor que nos atribuímos e o respeito que sentimos por nós mesmas. O facto de aceitarmos todas as nossas facetas tal como são, como componentes da mulher única e singular que somos, ajuda-nos a sermos mais eficientes, realistas e teremos até maior capacidade para amar verdadeiramente.

O medo de sermos incompetentes, de não estarmos à altura das expectativas dos outros é uma fonte de grande ansiedade. São programas mentais que se desenvolvem numa infância em que houve poucas experiências de sucesso ou em que os nossos pais, bem intencionados, nos criticavam constantemente para dessa forma nos obrigarem a dar cada vez mais de nós. Estas críticas passam depois até a fazer parte do nosso próprio diálogo mental e acabamos por repetir o ‘Isto ainda não é suficientemente bom’ que ouvimos vezes sem conta dos nossos pais bem intencionados (repito!) para depois lhe acrescentarmos um ‘Não vales mesmo nada’ afim de dar ainda mais ênfase à mensagem. Isto acaba por funcionar como um veneno que lentamente vai atacando todo o nosso amor próprio até que um dia nos sentimos vazias, exaustas, desmotivadas e não sabemos sequer o porquê. Contudo, na natureza todos os venenos têm um antídoto.

Na Terapia Transpessoal destacam-se oito antídotos que podem reavivar o amor próprio e ajudar no desenvolvimento duma auto-estima saudável.

Primeiro antídoto: Aumentar o número de coisas positivas que podemos dizer sobre nós próprias

Tal como comprovámos com o exemplo anterior da mensagem negativa, a repetição constante de uma ideia tende a formar parte do nosso sistema de crenças. Assim como recordamos uma crítica exagerando-a até proporções monstruosas, podemos centrar-nos em pequenos sucessos e experiências positivas. Ou seja, cada vez que fazemos algo bem feito há que dar-nos um tempo para celebrá-lo e  criar uma espaço para o auto-elogio. Também há que identificar os nossos pontos fortes e os nossos talentos e dons únicos com regularidade, afirmando com frequência (de preferência frente ao espelho): “Eu sou uma excelente cozinheira”, “Eu sou boa ouvinte”, “Eu sou eloquente”, etc., e repetir todos os dias enquanto se maquilha: “Eu gosto de mim exactamente como sou”.

Segundo antídoto: Diminuir o número de pensamentos negativos

Para isso, ajuda colocar-nos perguntas como: Que tipo de situações me fazem sentir mal comigo mesma? Que tipo de actividades gostaria de fazer, mas nunca fiz por achar que não seria capaz? Que relações com outras pessoas me deixaram sentimentos negativos?

Depois de se dar conta do problema, convém reprogramar as crenças negativas. Por isso, reformule, por exemplo, assim: ‘Eu sou totalmente capaz em todas as situações’ ou ‘Eu estou a aprender a ser mais amável comigo’.

Terceiro antídoto: Comunique aos outros as qualidades positivas que têm

Aqui há que ter em conta que existe uma diferença entre bajulação e elogio. Há que evitar a lisonja oca como ‘És a melhor do mundo nesta tarefa’ quando se sabe que isso não corresponde à verdade e expressar o verdadeiro apreço. Por exemplo: “Divirto-me imenso contigo. Obrigada pelo teu humor.” Aqui está um elogio sentido. Sentimo-nos bem ao reconhecer valor no outro e esse também aprende a receber elogios…

Quarto antídoto: Aprenda a rir-se das suas falhas e desenvolva o seu sentido de humor

Há que lembrar que nós não somos os nossos erros. Para nos desidentificarmos deles nada melhor do que o riso genuíno.    É de vital importância aprender a relativizar as coisas e não nos levarmos tão a sério.

Quinto antídoto: Aprender a deixar de se comparar com os outros

Não podemos deixar que as opiniões dos outros nos afectem tanto. A verdade é que ‘Não sou inferior nem superior a ninguém, simplesmente sou Eu e sou feliz assim.’ Além disso, nada daquilo que o outro possa dizer ou fazer é pessoal ou verdadeiramente direccionado contra nós. Tem a ver com os seus próprios sentimentos, feridas que possa trazer da infância, etc., mas na verdade não é nada contra nós. Por isso, não leve as reacções dos outros tão a peito!

Sexto antídoto: Reduzir a indecisão

Normalmente, a indecisão provém duma preocupação desmedida em relação àquilo que os outros possam pensar sobre as nossas decisões. Em geral, temos um medo excessivo do fracasso, por isso, há que desenvolver uma visão mais realista dos erros. A maior parte dos erros que cometemos nem sequer têm consequências graves e os que têm também servem para aprender a crescer. Há que aprender a ver os erros como oportunidades de crescimento.

Também ajuda que desenvolvamos uma atitude mais intuitiva e ligarmo-nos mais à nossa inteligência do coração para tomar decisões mais amorosas. Quando decidimos com o coração, nunca nos arrependemos.

Sétimo antídoto: Limitar o número de compromissos que contraem

As mulheres, com uma excessiva necessidade de aprovação, têm tendência para dizer ‘Sim’ a tudo o que lhes é pedido. Quando aceitamos mais compromissos do que nos apetece e convém, isso pode conduzir-nos a sacrificar as nossas próprias necessidades e desejos, o que, por sua vez, leva à auto-reprovação e a mais um decréscimo na auto-estima. Assim sendo, é de vital importância limitar o número de compromissos que assumimos. Um ‘Não’ sentido faz valorizar o nosso futuro ‘Sim’. Também é necessário aprender a aceitar que o dia tem apenas 24 horas e não há nada de mal nisso. O problema está na quantidade de coisas que queremos ‘enfiar’ nessas 24 horas. É como um exercício constante de tentar com que o Rossio caiba na Rua da Betesga. Que tal libertarmo-nos disso e adaptar o número de actividades ao tempo que temos disponível? Isto parece básico, mas a verdade é que nos parecemos esquecer deste simples facto todos os santos dias.

Oitavo antídoto: Utilizar a imaginação positiva

As pessoas com um nível de auto-estima elevado mantêm a mente ‘limpa’. Não entra lixo tóxico e a imaginação é fortalecida de forma positiva com imagens que promovem bem-estar e lembranças que suscitam alegria e felicidade.

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Miriam Agostinho – Educadora Transpessoal

terapeuta

 

 

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