As Regras de Moscovo – Daniel Silva

Hoje venho falar sobre um livro que acabei de ler: As Regras de Moscovo de Daniel Silva. Felizmente ainda me faltam alguns livros deste autor para acabar a coleção pois é bom saber que posso contar com Gabriel Allon para mais alguns prazerosos momentos de leitura.

Desde que começaram a ser publicados os livros de Daniel Silva em Portugal que sempre senti muita curiosidade em ler mas (não sei bem porquê) apenas há pouco tempo me debrucei sobre as suas obras-primas. Desde já um conselho: comecem por ler a coleção desde o início. Na minha opinião, os livros vão sendo emocionalmente mais apelativos à medida que vamos avançando na coleção mas, mesmo assim, é melhor ler a saga começando pelo primeiro livro. É ingrato saber, por exemplo, que a personagem principal é casada pela segunda vez porque aconteceu isto e aquilo num dos livros anteriores. E mais não conto para não ficarem frustradas como eu. Tira muita magia e suspense a todos os outros enredos. O que muitas vezes acontece é não se saber qual a primeira obra da coleção já que a Bertrand, lamentavelmente, não os publicou pela sua ordem cronológica. No final deste texto deixo os livros ordenados para quem, como eu, estiver interessada em tornar-se uma fiel seguidora deste autor.

Para além de ser um verdadeiro artista na arte da escrita, é preciso não esquecer que este autor, que já foi número 1 do New York Times e a quem chamam o novo John Le Carré, tem uma costela portuguesa. É norte-americano mas os seus pais são açorianos.
Mas falando d’ As Regras de Moscovo. Indubitavelmente, gosto de livros sobre espionagem e este não me desiludiu. Talvez não seja o melhor de Daniel Silva mas merece todos os créditos.

Qual visão ocidentalmente trabalhada, o livro transporta-nos para a atualidade russa e para todas as intrigas, cinismos e negócios ilícitos que naturalmente se desenrolam no meio, e sob alçada, do grande Kremlin. Considero não ter uma ideia imparcialmente formada sobre este país, mas toda a censura de que se fala parece ser uma triste realidade pelo que, qual mote perfeito, fica criado o cenário ideal para um enredo cheio de astúcia e ação: a Rússia. Assim, damos por nós a auscultar as sombras mais recônditas do tráfico de armas para os países totalitários e do Terceiro Mundo, feito pelos magnatas russos, que se movimentam em toda a luxúria e imponência que lhes são caraterísticas.

A trama começa por se centrar no agente secreto Gabriel Allon, que insiste em se aposentar dos Serviços Secretos Israelitas e dedicar-se exclusivamente ao restauro, mas que, alavancado por determinado acontecimento, volta sempre à ação. Neste caso, a morte de um jornalista e editor de um jornal da Rússia leva-o a entrar no jogo perigoso para desmascarar o oligarca russo Ivan Kharkov que está prestes a vender armas a um grupo terrorista islâmico. Neste livro não está tão patente o conflito entre Israel e Palestina a que o autor já nos habituou, mas sim o duelo Ocidente-Oriente que tantos artistas tem inspirado.

Sendo traço distintivo de Daniel Silva, somos confrontados com temas bem atuais, desta feita o (ex.) KGB, a venda de armas ilegais e a Al-Qaeda. Estando em grande parte da ação em território inimigo, joga-se, pois, segundo as regras de Moscovo, regras essas que foram inventadas em plena Guerra Fria e que, ainda hoje, se mantém em vigor para quando agentes estrangeiros visitam a Rússia. E talvez por se tratar da Rússia, a obra está repleta de personagens frias e distantes, às quais acabamos por não nos apegar. No entanto, surge no meio da trama a personagem Elena Kharkov, esposa do milionário russo que Allon persegue, que surge femininamente bela e sentimental, dando um toque caloroso e especial à história. A ela sim, conseguimo-nos apegar. Talvez o resto do livro devesse contemplar mais personagens assim. Mas ok, estamos na Rússia. Explicação válida.

Para além disso, considero que o autor podia ter reservado mais suspense para o desenvolvimento do enredo mas, os capítulos finais, ricos em reviravoltas e ousados esquemas, conseguem entreter (e bem) os amantes da leitura. O tema da Al-Qaeda também podia ter sido, na minha opinião, mais explorado.

É, sem dúvida, uma intriga vista do lado de cá da barricada mas que reflete muita da realidade que se vive hoje em dia. Deixo uma frase que espelha de forma incólume o retrato que o autor faz da Rússia atual, uma das grandes mais-valias do livro: “finjo ser jornalista num país onde já não existe verdadeiro jornalismo. Porque eu quero democracia num país que nunca a conheceu”.

Daniel Silva garante que trata de factos, mas deixa-se sempre isso ao critério do leitor que, curioso e interessado, se deixa apaixonar pela arte da espionagem.

O Artista da Morte (2000)

O Assassino Inglês (2002)

O Confessor (2003)

Morte em Viena (2004)

Príncipe de Fogo (2005)

A Mensageira (2006)

O Criado Secreto (2007)

As Regras de Moscovo (2008)

O Desertor (2009)

O Caso Rembrandt (2010)

Retrato de uma espia (2011)

The Fallen Angel (2012)

(Livros da série Gabriel Allon. Daniel Silva tem mais livros publicados sem ser desta personagem)

Muitas e boas leituras!

Oriana