Archive for the ‘Família’ Category

Esperança

Quando menos esperas, algo bom bate à porta…
Algo que traz paz e não receios!
Algo que te preenche…
Algo que te faz sorrir…
Algo que não te muda, apenas te completa!

Mudanças sempre vêm…
Umas maravilhosas, outras nem tanto.
Porém, sendo tu a pessoa em comum em cada uma dessas circunstâncias, és tu quem tem o poder de decidir o que cada uma delas fará contigo e em ti!

Nada, nem ninguém, para além de ti, poderá decidir o que a tua vida será…

Entrega o teu caminho Àquele que é digno, e o resto está nas tuas mãos!

Tudo virá por acréscimo; esforça-te e tem bom ânimo!
Recusa-te a andar pelas emoções, pois quando as mesmas mudam, tudo será extinto se te deixas reger por estas.

Que tenhamos a sabedoria e discernimento para separar o que é, do que não é!

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A Ceia de Natal onde se serve a Saudade

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Uma ceia onde o prato principal é essa palavra tão portuguesa: Saudade, guarnecida com o coração apertado. Há lugares por ocupar na mesa, que assim permanecerão, bebem-se menos sorrisos e para sobremesa há um frio que tomou o lugar do calor humano.

Há pais e mães que imaginam a alegria dos filhos, há avós que guardam em si os mimos que gostariam de dar aos netos, há maridos e mulheres a quem faltará o sorriso cúmplice, há irmãos que estranharão a falta das brincadeiras, provocações e amizade,  há novos membros da família que ainda não foram apresentados, há um sem fim de vazio que nenhum bacalhau, doçaria, calor, neve, música ou presentes conseguirão compensar.

Não vale a pena negar ou tentar dizê-lo de outra forma: é um Natal de emoções difíceis. Para uns é a primeira vez que lidam com elas, para outros é uma cena que se repete. E não há muito a fazer senão lidar com as circunstâncias da melhor maneira. O Skype cumpre parte do papel, há uma certa sensação de proximidade que ajuda a conter uma lágrima aqui e ali. Mas como a vida não é feita apenas de perdas, o conceito de Família ganha mais um sentido: há novas amizades que enriquecem o dia-a-dia e o Natal pode ser uma experiência diferente que leva à descoberta de outras tradições, onde se aprende novas formas de partilhar alegrias e tristezas.

Poder-se-ia cair na tentação de lembrar apenas neste artigo os emigrantes portugueses mas, nele se acolhem também os (i)migrantes que se encontram no nosso país e outras realidades que por questões de trabalho, mobilidade, saúde, legais, interculturais ou outra natureza se revêem numa noite que brilha incompleta.

Sendo o Natal tantas vezes apelidado de época de esperança, resta então esperar que o tempo passe rápido até ao próximo encontro.

Para as famílias que estão unidas em torno da saudade, votos de um Feliz Natal!

Para os Braços da Minha Mãe – Pedro Abrunhosa e Camané

O equívoco da paixão

 

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Principalmente no meio espiritual existe a tendência para desvalorizar e até denegrir o significado da paixão.

Como se ser espiritual e ser apaixonada não fosse compatível. Como se ser espiritual fosse sinónimo de ser enfadonho.

Creio que esse equívoco espelha apenas um equívoco ainda maior sobre a paixão em geral. Dou-me conta que a maior parte das mulheres acima dos 30 anos diz já não acreditar na paixão. Dizem que fizeram o luto dessa ideia romântica, desse sonho imaturo, vendido pelos filmes de Hollywood sobre o amor à primeira vista, a paixão arrebatadora, que dá lugar ao ‘felizes para sempre’.

E realmente há uma razão para os filmes terminarem precisamente nesse ponto. O ‘felizes para sempre’ dá muito trabalho e não vende tão bem como a magia natural da paixão. Mas porque rende tanto afinal essa história da paixão louca na qual dizemos não acreditar? Se não acreditamos, porque vamos ao cinema ver o filme e gastamos um maço de lenços de papel para lavar as lágrimas da emoção que nos provoca?

Estes filmes têm audiência porque, no fundo, ansiamos por essa história, mas mais tardar aos 30 já nos convencemos de que precisamente essa história não é para nós e que só nos resta contemplá-la nas telas do cinema. Isso impede de nos debatermos com o verdadeiro anseio pela paixão dentro de nós. Não será na verdade esse cinismo evidente em relação ao amor romântico e à paixão nada mais nada menos que um mecanismo de defesa para nos protegermos da dor da desilusão?

É que quando chegamos aos 30 já todas passámos pelo menos uma vez por uma dessas histórias de Hollywood na vida real. Não é verdade? A única coisa que pode não ter resultado daí é o final feliz, mas o resto: a magia do primeiro olhar, aquele clique, o beijo apaixonado em que te perdes, o reconhecimento da alma desse objecto de paixão que pareces conhecer desde o início dos tempos… Tudo isso já viveste. Não podes negá-lo portanto. Existe. Na paixão reconheces a magia da vida. Impele-te para uma versão mais ousada de ti porque te mostra que és muito mais do que aquilo que julgavas ser.

Os filmes inspiraram-se precisamente na vida e não ao contrário. A arte em geral é a contemplação certeira da realidade e não uma construção da imaginação, como muitos preferem designá-la. A paixão existe e é o motor necessário para a mudança, para a realização plena e até para a criação. Há que admitir que simplesmente porque o desfecho dessas paixões não correspondeu ao que nós desejávamos, fechámos o coração por acharmos que era mais seguro para nós não voltarmos a cair na armadilha da paixão e começámos então a contar-nos o único conto de fadas que não é real, de que o grande amor não existe ou que, se existe, certamente não é para nós.

Queremos proteger-nos desse perigo da paixão e não nos damos conta que, com isso, estamos a abrir cada vez mais a ferida de não vivermos o que é suposto viver. Negamos a vida ao rejeitarmos a paixão.

O grande equívoco não reside sequer na questão se a magia da paixão existe ou não, mas no facto de que o ‘felizes para sempre’ só pode acontecer sob uma única condição: nessa paixão pelo outro eu tenho de aprender a colher o fruto mais proibido de todos: a paixão por mim mesma.

Ninguém promove essa paixão por motivos óbvios. É perigoso apaixonarmo-nos por nós próprias. A paixão promove a loucura e a espontaneidade. Se formos apaixonadas por nós, vamo-nos estar nas tintas para aquilo que os outros dizem ou pensam. A ‘boazinha’ vai ter de morrer para que possa dar lugar àquela que sempre desejámos ser, mas nunca tivemos coragem de admitir.

Nesse momento, vai ser mais importante responder ao nosso ímpeto de ir ver a peça de ‘Romeu e Julieta’ do que responder com um ‘sim’ forçado ao pedido de ajuda de uma amiga que precisa de apoio na mudança de casa. Vão chamar-nos egoístas e egocêntricas e esse é um preço que estamos dispostas a pagar apenas quando se trata das loucuras cometidas em nome da paixão pelo outro, mas nunca por nós.

A ironia da questão é que isso é tudo o que nos separa do ‘felizes para sempre’: a paixão por nós. Muitas se perguntam: e como é que nos apaixonamos por nos próprias? É fácil! Paixão é reconhecimento de algo maior, de magia, de providência divina, de beleza e verdade. Só precisamos de reconhecer isso em nós e apaixonar-nos-emos. Se formos a ver, é muito simples. Eu convivo comigo há quase 32 anos e ainda consigo descobrir coisas novas sobre mim a cada dia. Todos os dias me surpreendo. Está na hora de admitir que esta é a melhor relação que alguma vez vou ter. Apaixono-me quando me olho nos olhos e reitero o compromisso comigo mesma, a promessa de satisfazer os meus desejos, de colocar a minha felicidade acima de qualquer outra coisa.

A paixão pelo outro serve apenas este propósito: conhecermo-nos melhor, reconhecermos os nossos sonhos e apaixonarmo-nos loucamente por nós próprias. Aí o final feliz torna-se não só uma possibilidade, mas uma certeza.

Nessa paixão, como em qualquer outra, vamos sentir muitas vezes o desencanto, vamo-nos chamar nomes e bater com a porta para logo a seguir nos apaparicarmos e apreciarmos a nossa beleza. Reconhecemos que afinal somos ‘a tal’, aquela que nunca nos vai abandonar e que, nem que seja só por isso, convém amar eternamente.

Miriam Agostinho

Coach em Educação Transpessoal

educacao@escolatranspessoal.com

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