Começar de Novo… Renascer…

“Ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro…” Para marcar presença neste planeta, deixando a tua impressão digital, deverias abraçar pelo menos uma destas três referências, ao longo da tua vida…
Onde é que eu me encontro no meio disto tudo. Onde está a Isis?
A escrita sempre foi uma Paixão da qual não desfrutei em pleno, nem me entreguei completamente. (não tenho material suficiente para publicar um livro, grande sonho). E as paixões querem-te por inteiro, destroem-te e renovam-te ao mesmo tempo. Envolvem-te em emoções sem limites. Por isso são tão perigosas. É o que acontece quando nos perdemos nas palavras, estas acabam por nos libertar. De certa forma, libertaste-me para o Mundo da criatividade, baloiçando nas asas da imaginação. Não conseguia abrir a porta há algum tempo, perdi-me de mim por caminhos sem cor. Bem Hajas por isso! Motivaste-me…
E depois não é fácil parar! E estás ausente (bem melhor que eu, longe, a viajar), e sinto saudades que me perturbam. Não estavam previstas, mas simplesmente aconteceram. Gosto de arriscar, às vezes enlouquecer usando os adjetivos e pontos de exclamação. Excluir os pontos finais na maioria das vezes. Semear estrelas e cometas imaginários em lugares imprevistos. Adoro ser surpreendida, porém nem sempre conseguimos surpreender. Temos de investir todos os dias!
Continuo à procura da Isis, que “cresceu” desde então. Os obstáculos sucedem-se. Lida (tenta lidar) com mil inseguranças e receios. Agora, conta sobretudo com ela mesma, está consciente que os “happy ending” e “príncipes encantados” não existem. E, não somos simplesmente vítimas das circunstâncias. “Sou o Mestre do meu destino. Capitão da minha Alma”.
Não abdica de um cantinho só seu e luta por ele, mesmo que não seja o que idealizou. Vive com menos do que considera aceitável. Neste momento não acredita numa vida a dois, e a sua auto-estima é baixa. Prescindir da sua autonomia está fora dos seus planos, bem como voltar a tornar-se dependente de alguém, centralizando tudo numa só pessoa (a dependência emocional parece-me inevitável). Tem aprendido que para Receber algo temos sobretudo que Dar, sair de nós próprios e do nosso egocentrismo. É uma longa aprendizagem. O amanhã é uma total incerteza, o envelhecimento assusta. E a vida torna-se um lugar estranho e desconfortável, todavia real. Mesmo assim não podemos/devemos desistir dela…
Contudo, continua a querer Sentir que está Viva. E deseja partilhar, sim, se forem momentos breves e intensos que valham a pena ser vividos. Como aquele dia maravilhoso algures em Março, quase perfeito. Estou contigo sempre que o/os recordo. Irreal a longo prazo. Porque todas as relações têm tempo de validade e acabam por caducar, sabemos bem disso. Podem sufocar-nos, magoar-nos. E tu és uma pessoa interessante, demasiado, o que é perigoso. E delicioso ao mesmo tempo. Mexes comigo. Fico-me por aqui. É preferível, caso contrário …bem, é melhor nem pensar nisso. Às vezes vale a pena arriscar por mais dias assim, partir à descoberta de novos interesses e lugares. Mesmo estando consciente das diferenças e dificuldades. Concordas?
Estás presente quando ouço os CDs que me deixaste do André Rieu, revivo o Bolero de Ravel onde ambos sabemos, coloco umas gotas de Amor Amor da Cacharel, folheio o livro Sexus de Henry Miller. Divagações…

Na verdade, resolvi não estabelecer limites e dizer tudo o que me apetece, ou vem à cabeça…uma espécie de auto reconhecimento, confissões de mim para mim.
Instantes bons… Para relembrar… Numa das sessões do meu Curso de Poesia foi-nos pedido um trabalho que consistia em escrever uma carta de Amor, e eu escrevi uma carta que celebrava a Vida, um Hino ao facto de estarmos vivos, e emocionarmo-nos.
Coisas simples como…
• Alegrar e demonstrar afeto às pessoas de quem mais gosto…
• Abraçar e ser abraçada, passear mão na mão.
• O anoitecer no quintal dos meus avôs maternos, cenas da minha infância, sentada no balouço, a ouvir o barulho do vento, e mergulhar na beleza da escuridão.
• Uma manhã de sol no Algarve (tão comum) quando saia de casa, exibindo os meus pés bronzeados nuns chinelos “fashion”, e por instantes ficava a contemplar o mar ao longe, o barulho das gaivotas. Tudo parecia estar no seu devido lugar.
• Em dias de sorrisos por dentro, e de bem comigo, colocar a música bem alto e dançar, dançar, dançar em frente ao espelho. Retirar a roupa peça a peça, devagarinho e com sensualidade, como num show de strip tease, Soltar-me! Sentir um“poder ilusório” perante os olhares gulosos de uma plateia masculina, apenas presente na minha cabeça.
• Dar muitos mimos à minha cadela e tê-la ao meu colo, relaxa-me…
• Receber um ramo de cravos vermelhos, ou pelo menos um cravo, no dia 25 de Abril.
• Saborear um gelado enquanto passeio com os pés nus na areia húmida da praia, à beira-mar.
Parece que me alonguei… Fizeste-me um pedido e aqui está… Se correspondeu ou não, terei de aguardar…Talvez seja um ponto de partida para uma boa conversa.

Beijo, beijo…Amigo querido

Sobretudo com Amizade 🙂

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