Contraceptivos Orais


Antes de tomar qualquer contraceptivo, deve aconselhar-se no seu centro de saúde/USF (Unidade de Saúde Familiar) com o seu médico/enfermeiro de Família, acedendo a uma consulta de planeamento familiar.
Estas consultas visam obter informações sobre os seguintes aspetos: funcionamento e eficácia relativa do método; forma de utilização; efeitos secundários comuns; riscos e benefícios para a saúde; sinais e sintomas que necessitam de avaliação por um profissional de saúde. As consultas permitem, também, a requisição de exames analíticos, o rastreio do cancro do colo do útero, prevenção das ITS, promoção do aleitamento materno e retorno da fertilidade após a suspensão do método.
Pode ainda ter a necessidade de efetuar um exame ginecológico, o Papanicolau – citologia cervical, caso o médico verifique a sua necessidade.

Relativamente aos contracetivos orais, existem dois tipos:
– Contracetivo Oral Combinado (COC), contém etinil-estradiol e um progestagénio;
– Progestativo Oral (POC), contém apenas progestagénio.

Segundo, o Programa Nacional de Saúde Reprodutiva:

Contraceção Hormonal Oral

– É muito eficaz, segura e reversível;
– Tem outros efeitos benéficos além do contracetivo;
– Os efeitos colaterais são ligeiros; ocorrem geralmente nos 3 primeiros meses de utilização e depois, em regra, desaparecem;
– As complicações e contraindicações são pouco frequentes;
– Exige o compromisso diário da mulher;
– Não é recomendada no período da amamentação, com exceção dos progestativos, preferencialmente, a partir das 6 semanas após o parto;
– Não protege das ITS, mas reduz a incidência da Doença Inflamatória Pélvica (DIP);
– Pode ser utilizada como contraceção de emergência.

Contracetivo Oral Combinado (COC)

Os contracetivos orais combinados comercializados atualmente contêm doses reduzidas de hormonas, pelo que podem ser utilizados pela generalidade das mulheres, desde a adolescência até a menopausa. Não havendo razões médicas que justifiquem outra opção, as mulheres mais jovens, em geral, adaptam-se melhor aos contracetivos com doses mais elevadas de estrogénios.

Eficácia:
– Taxa de falha: 0,1 a 1 gravidez em 100 mulheres/ano;
– Depende da utilização correta, regular e continuada.

Vantagens:
– Tem elevada eficácia contracetiva;
– Não interfere com a relação sexual;
– Regulariza os ciclos menstruais;
– Melhora a tensão pré-menstrual e a dismenorreia;
– Contribui para a prevenção de:
> DIP e gravidez ectópica;
> Cancro do ovário e do endométrio;
> Quistos funcionais do ovário;
> Doença fibroquística da mama;
– Não altera a fertilidade, após a suspensão do método.

Desvantagens:
– Exige o empenho da mulher para a toma diária da pílula;
– Não protege contra as ITS, nomeadamente SIDA e Hepatite B;
– Pode afetar a quantidade e a qualidade do leite materno quando usado durante a amamentação.

Indicações:
– Quando se pretende um método contracetivo muito eficaz;
– Obter outros benefícios além do contracetivo.

Critérios de elegibilidade:
– Gravidez;
– Hemorragia genital anormal sem diagnóstico conclusivo;
– Doença cerebrovascular ou coronária;
– Trombose venosa profunda/embolia pulmonar, assim como situação clínica predispondo a acidentes tromboembólicos;
– Hipertensão ≥ 160/100 mmHg;
– Doença cardíaca valvular complicada (hipertensão pulmonar, risco de fibrilhação auricular, história de endocardite bacteriana subaguda);
– Neoplasia hormonodependente;
– Doença hepática crónica ou em fase ativa (não inclui portadores sãos), tumor hepático;
– Tabagismo em idade ≥ 35 anos;
– Cefaleias tipo “aura” em idade ≥ 35 anos;
– 5 anos sem evidência de doença;
– Epilepsia e outras doenças cuja terapêutica possa interferir com a pílula;
– Diabetes Mellitus.

Como se pode constatar, os contracetivos orais apresentam uma elevada eficácia, associada a uma grande facilidade de acesso e utilização. Mas não são perfeitos; estes dependem de algo muito importante: uma toma regular. Os contracetivos orais apenas funcionam eficazmente no caso da utilizadora seguir o plano regular de tomas. Uma pequena falha pode ter como consequência uma gravidez indesejada.
Seguindo todas as indicações e realizando uma toma regular, este é um método muito eficaz de contraceção, sendo o método de eleição de um elevado número de mulheres.

Maria Mendes