Contradição eu sou

Eu sou o riso maléfico da bruxa
e o choro inocente do recém-nascido
Eu assumo o poder, capaz de dominar mundos
e mantenho em mim a fragilidade de uma pena sem rumo
Voo alto e sou ousada como a águia
e jazo enterrada com os meus demónios sete palmos abaixo da terra
A profundidade do mar é espelhada no meu olhar intenso
e sou superficial como uma ilha inacessível
Vivo a imortalidade no Amor que brota do meu coração alado
e acolho a efemeridade do tempo em cada sopro de vida
Sou flexível e adapto-me a cada estação do ano
Sou rígida e impenetrável nas minhas convicções
A Rainha, segura e soberana, habita-me
tal como a mendiga despojada de qualquer valor
A sabedoria da Deusa Atena guia-me em cada acção
Mas ignoro por completo as leis do coração que me aterroriza
Acrescento sentido à vida de muita gente
e lanço a inquietude em outras tantas almas
Sou venerada por uns
e desprezada por outros…
Eu sou a manifestação do mistério da vida
que se revela na beleza da MULHER

Miriam Agostinho

 

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