(Des)conhecido

paixao

O tempo vai passando e com ele as relações vão-se cobrindo num véu de dúvidas e incertezas que as amaldiçoam, sem os próprios protagonistas se aperceberem ou, simplesmente, resignam-se a ignorar os primeiros sinais.

O que um dia seria um amor eterno – nas promessas trocadas -, um jogo de sedução, tantas vezes alimentado com olhares provocadores, com danças eróticas, esvanece-se num prazo limite de tempo. A intimidade vai-se perdendo à medida que o jogo vai arrefecendo, que as preocupações diárias se tornam a prioridade das relações. De repente, a pessoa que conhecíamos passou a ser a tal que desconhecemos, ou que deixamos de ter tempo para conhecer.

Não, não deixamos de conhecer a pessoa que nos prometeu amor eterno, deixamos sim, de penetrar o seu íntimo, de lhe sentir a força que nos enlouqueceu um dia. Cegamo-nos com o desconhecido que vive connosco, afastando os sentimentos que, em tempos, nos permitiram prometer também.

Neste impasse, nada melhor que reacender essa chama, sem receio, sem medo de jogar no erotismo, que pode ser uma relação. Sem medo de descobrir o amor adormecido, lá bem no fundo, como um coma.

Peça, gentilmente, aos avós que exerçam a sua função e fiquem com os netos, naquela noite. Sim essa mesma! A noite em que voltará a pôr à prova a sua capacidade de sedução.

Compre aquela lingerie, sexy, que viu na montra em promoção. Não, não tenha receio. Vai-lhe ficar a matar!

Tire do armário o vestido escondido e sim, vista-o! Acompanhe-o com aqueles saltos, arrumados na caixa há meses. Sim, esses mesmos.

Coloque as gotas de perfume que ele tanto adora e envie-lhe uma mensagem. Sim, uma mensagem para o telemóvel. Atreva-se a provoca-lo nessas poucas palavras. Marque-lhe a hora, o local e arranque: Espere-o lá… Sim, a esse desconhecido com quem vive. Trate-o como isso mesmo, um desconhecido e deixe o encanto do momento, alimentado pela sua sedução, fazer o resto… Nada melhor que um primeiro (re)encontro para voltar a (re)conhecer o seu (des)conhecido.

A sedução é um papel que se interpreta a dois, num cenário que é a relação.

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

 

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