Eu me mordo de ciúme

Eu me mordo de ciúme
Quem nunca sentiu o incômodo de sentir ciúme? Pode ter ser sido fraquinho, quase inexistente, apresentando-se como uma atenção mais aguçada, um cuidado maior com o que está ocorrendo ao redor do(a) parceiro(a). Pode ser uma desconfiança de que alguém tem interesse nele(a) ou vice-versa, ou ainda, um medo doentio de perder a pessoa amada. Qualquer um destes sentimentos gera diferentes emoções e traz diferentes conseqüências para os relacionamentos amorosos.
O ciúme nos relacionamentos pode ter um papel parecido com o do tempero nas refeições. Tem quem não gosta, quem gosta de um pouquinho e quem não vive sem uma pimentinha! É uma escolha pessoal e complicada às vezes, porque o que uns consideram um pouco, pode ser excessivo na opinião do outro.
É neste ponto que quero refletir um pouco sobre o papel do ciúme. Nem sempre ele é ruim e negativo. Nem sempre faz a vida um inferno. Alguns casais sabem como utilizá-lo com moderação para dar sabor à vida amorosa. Existem até casais que falam de relacionamentos anteriores na hora do sexo para deixá-lo mais intenso…
Acho que eles são uma exceção. Mas, provam que tudo depende da forma com vemos a situação. Li sobre um desses casais. Ela dizia “é muito excitante saber que ele ficou com tantas mulheres e me escolheu”. Ele completava “saber que eu só o melhor me acende”.
Não estou insinuando que você faça o mesmo. Apenas mostrando que a nossa percepção influencia tremendamente as nossas emoções e que elas podem ser utilizadas ao nosso favor ou contra.
“Só quero a verdade…” você poderá dizer. Compreendo totalmente. Todos nós gostaríamos de sempre saber o que realmente está acontecendo. O problema é que, como dizia o poeta “o estranho deste mundo é que todo mundo tem as suas razões”. Toda verdade tem muitos lados, envolve muitos fatos. Um deles é a percepção de quem a vê… Quantas vezes você já sentiu medo de um vulto no escuro e depois descobriu que era apenas ilusão? O que temia não era real, mas o medo sim. As emoções referiam-se ao objeto temido como se ele fosse real, verdadeiro. Mas que, na verdade, ele existia somente para você.
Nas relações humanas, muitas vezes isso acontece. Encontramos pessoas com medo da vida, medo do parceiro encontrar alguém melhor, medo de ser trocada e não encontrar ninguém, medo de não ser mais amada… Medo de tudo.
Por terem um medo real, elas buscam objetos que possam concretizar seu temor. Basta aparecer alguém que julgue mais interessante, bonito ou inteligente que o coração dispara e o radar começa a detectar todo e qualquer sinal de possível problema. Às vezes, esses sinais são verdadeiros sim, não podemos negar e é importante que saibamos o que está acontecendo para sabermos quando e como reagir. Pretendo tratar desse assunto em outro artigo. Mas, nesse momento quero me ater aos medos imaginários e as reações reais que temos.
Entenda que embora a pessoa amada seja maravilhosa, bonita, interessante etc. Ela te escolheu. Pense nisso. Todas as opções estavam lá e você foi escolhida(o). Continuar sendo a escolha dele(a) pode não ser tão difícil quanto imagina. Pode ser apenas continuar sendo quem você realmente é. A pessoa pela qual ele(a) se apaixonou. Sem ataques de insegurança. Sem dizer para que olhe só pra você ou diga que a(o) ama o tempo todo. Sem perguntar se está bonita(o) cada vez que saírem. Sem Ligar mil vezes e perguntar onde está e com quem está em cada ligação! Isso pode ser um temperinho. Mas, acredite, em excesso pode fazer com que um prato que tinha tudo para ser maravilhoso seja um total desastre…

Sobre a Autora: Eliana Monteiro é Mestre em Sexologia, Especialista em “Sexualidade Humana” e em “Gestão de Pessoas e Projetos Sociais”. É Graduada em Psicologia e Teologia, professora universitária e autora de várias pesquisas realizadas e divulgadas no Brasil e no exterior.
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