Gravidez e HPV: Continuando a luta

Gravidez e HPV

Em Setembro de 2006, retornei ao IPO para analisar a minha situação. Estava esperançada que tudo tivesse passado, que tivesse sido só um pesadelo e nada mais.

O Dr Daniel efectuou a recolha necessária para análise, tendo-me reconfortado de seguida.

“-Vamos aguardar o resultado da análise.”- disse-me.

Esperei algumas semanas, que me pareceram anos, mas, no fundo, eu tinha muita esperança que tudo estivesse bem. Finalmente, chegou a carta do IPO, tremi antes de a abrir. Ao começar a ler, sentei-me, o coração bateu descompassadamente parecia que me queria sair do peito. A carta mencionava que eu possuía um mioma no colo do útero, com células pré-cancerígenas e que teria de ir de urgência ao IPO. Foi-me facultado um número de telefone para o qual liguei, do outro lado da extensão alguém disse:

“-sala de corte.”

“-Ah??? De corte?” Entrei em pânico. Corte? Operações? Não!!!

“-Desculpe, sala de laser .” – a enfermeira corrigiu.

“-De corte ou de laser?” – perguntei.

“-De lazer.”

Para mim era tudo igual, laser, corte, tudo implicava basicamente o mesmo – dor. Conversei com a enfermeira sobre o conteúdo da carta, ela, amavelmente, passou a chamada ao Dr. Daniel que me explicou que o problema não tinha passado, e o rastreio tinha mostrado isso mesmo.

Pesquisei na internet, e em livros, tudo o que pude sobre o cancro do colo do útero, e a cirurgia a laser – conização (cirurgia feita em cone), fiquei esclarecida com o que encontrei, mas não tranquilizada. Pelo menos já não ia no “escuro”, sabia o que me esperava, isso significava muito para mim.

A Conização foi marcada para Novembro, nesse dia, lá estava eu, no Ipo, a chorar compulsivamente parecendo Maria Madalena. Pela minha mente passavam mil e uma coisas, desde “Porquê a mim”, “A minha filha vai ficar sem mãe” entre outros pensamentos atrozes.

Lágrimas rebolavam pelo meu rosto, umas atrás de outras, não me importava quem estava a olhar para mim, era-me indiferente… o mundo é cheio de aparências mas eu não tinha que as manter, não! Se não estava bem, qual era o problema de o demonstrar? Para mim não era nenhum. Só me apetecia gritar, fugir, perguntar “porquê a mim?” isto tudo seria porque me recusara a visitar ginecologistas, e agora teria que pagar por tudo isso? Esta vida era justa? Tantas perguntas sem resposta.Gravidez

Finalmente, chamaram-me, estava hiper-nervosa. A médica explicou-me os procedimentos que iriam ter, a cirurgia seria através da vagina, com laser, para que a pudessem efectuar eu teria que assinar um termo de responsabilidade.

“-E se eu não assinar?” – perguntei.

“-Não lhe posso fazer, mas aí o risco é seu. Pode até nem dar em nada, como pode dar, mas você é quem sabe.”

Reflecti durante alguns minutos e decidi ir em frente. Preferi não arriscar. Não foi fácil, confesso, nada mesmo! A enfermeira bem me tentava acalmar conversando comigo, mas eu só queria que tudo aquilo terminasse. Como foi a cirurgia a laser? A médica colocou uns óculos especiais devido ao laser. Deitei-me nas cadeiras típicas de ginecologistas, colocaram-me o espectro ( bico de pato como é vulgarmente conhecido), fui anestesiada localmente ( não por seringa mas por um spray), e iniciaram a cirurgia. A enfermeira ia falando comigo, fazendo-me perguntas banais, eu mantinha os olhos fechados, não estava a dormir, antes estivesse, só que preferia ter os olhos fechados para não ter que ver todo aquele procedimento que ainda me deixava mais nervosa. Foi doloroso, bastante! Ainda mais quando começou a passar o efeito

da anestesia… aí foi pior, se antes sentia algo, a partir daí ainda mais dor sentia. As lágrimas corriam-me pelo rosto, mil e um pensamentos “atropelavam” a minha mente. Porquê eu?

Quando, finalmente, terminou (não me recordo do tempo que demorou, para mim foi uma eternidade) mostraram-me o mioma que me tinham retirado, grande. Deram-me um penso higiénico pois durante uns dias iria andar menstruada – normal após uma cirurgia daquelas.

Em Fevereiro de 2008, tornei a ir à consulta do Dr.Daniel , este informou-me que , aparentemente, estava tudo bem, e marcou-me nova consulta para Fevereiro de 2009. Disse-me, também, que nessa altura já não seria ele a consultar-me. Na altura, deixei-me cair na cadeira , fiquei muito triste com a notícia, ele era e é um excelente médico! Enfim, os bons têm que partir sempre, e ele iria passar a dedicar-se às cirurgias. Sinto-me sortuda por ter tido a oportunidade de ser consultada por alguém tão atencioso, simpático, profissional, bom médico, muita sorte mesmo. As suas consultas decorriam sempre com rapidez e profissionalismo – convenhamos que ir ao ginecologista não é lá muito fácil, e se apanharmos daqueles/daquelas médicos que quase necessitam de uns óculos graduados ou de um manual, pior ainda. Com o Dr. Daniel isso nunca aconteceu, ele sabia o que fazia e fazia-o com brio profissional.

Obrigado Dr.Daniel ! Que Deus lhe ilumine o caminho .

Enviado por: Cristina Silva

 

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