Gravidez e HPV – A triste notícia

A minha menstruação sempre foi regular, sabia que todos os meses por volta do dia x eu estaria menstruada. Como um relógio, ela chegava, umas vezes com dor, outras sem. Outras com dores fenomenais que me faziam rebolar no chão ( só começaram a acalmar quando um médico espectacular me receitou medicação), outras em que era só o mal-estar ou má disposição típica que todas ou quase todas as mulheres experimentam antes ( Tensão Pré-menstrual TPM) ou durante a menstruação, se é mulher sabe do que estou a falar.

Sentimentos que muitas nós temos, e que grande parte dos homens não sabem e não entendem a razão porque em determinadas alturas do mês andamos muito choronas, cansadas, ou zangadas. Por vezes, andamos de tal forma que só nos apetece dar tareia a “meio – mundo” , nesses dias o melhor é que eles não mexam muito com os nossos sentimentos pois pode dar discussão, contudo devem, sim, ser compreensivos e atenciosos – milagres que nem sempre acontecem !

Enfim, quando Eva errou no Paraíso ao ter comido a maçã, Deus decidiu “castigar” todas as mulheres, e assim é, talvez por isso, e por muito mais, nós tenhamos que sofrer tanto, e os homens ficam à margem sem saber e sem entender o que sentimos nestas alturas. Quem me dera que, de vez em quando, eles também sentissem na pele o que é a TPM e todas as dores e desconfortos aliados a ela. Infelizmente isso não é possível…

Gravidez

Contudo, por volta dos meus 22 anos de idade, havia alturas em que eu ficava menstruada duas vezes por mês. Na altura, contei o sucedido à minha médica de família que me disse ser um Spotting (hemorragias intercalares durante o ciclo menstrual),e não fez grande alarmismo deste facto.Aos 25 anos de idade, e continuando a ter, sistematicamente, a menstruação bimensal, e com dores,  decidi ir novamente ao médico de família. Na altura não ia ao ginecologista porque ,na primeira vez que fui lá, ela magoou-me imenso e escreveu no relatório que “eu não colaborei”, nas outras consultas como estava menstruada não compareci, e o tempo foi passando e deixei o problema arrastar-se.O médico de família, que nesta altura já não era o mesmo, mandou-me fazer uma ecografia para averiguar o que se passava.

No dia da eco, e como manda a praxe, tive de beber um litro e meio de água, não podendo ir urinar. Foi complicado estar extremamente aflita para ir à casa – de – banho e não poder ir. Quando, finalmente, chegou a minha vez de ser atendida, o médico colocou-me um gel frio na barriga e iniciou a eco, vendo o que se passava através de um pequeno monitor. “- Tem aqui um mioma . Leve estes resultados ao seu médico.”Não prestei muita atenção, confesso, tal como , por motivos profissionais, decidi não ir ao médico – errei !

Os anos foram passando, ano após ano.Aos 31 anos, quase 32, engravidei, e aí tive que colocar de lado todos os meus medos e receios e começar a ser seguida pelo médico em Fevereiro de 2006.Na altura, detectaram-me uma anemia rara, tão rara que podia colocar em causa o bebé.Um dia, o médico chamou-me de urgência.“-Estou a chamá-la para lhe comunicar algo.”- disse-me.“-Sim, Dr, que tenho anemia.”        “ – Não, afinal foi erro de diagnóstico. Mas ao fazer-lhe a raspagem (teste Papanicolau) e enviar para o IPO (Instituto Português de Oncologia) descobrimos que tem células pré- cancerígenas no útero e que terá que começar a ser seguida lá.”Senti o “ chão fugir” debaixo dos meus pés. Parecia que o consultório estava ás voltas. Não estava a querer acreditar no que me estava a acontecer… células pré-cancerígenas?

Comecei a fazer pesquisas na internet para me informar sobre o cancro do colo do útero, queria reunir o máximo de informações possíveis sobre este assunto, necessitava saber o que teria que enfrentar. Com isto tudo só me preocupava o bebé: cresceria sem mãe? Como iria ser o seu futuro?Em Março de 2006 fui ao IPO para a minha primeira consulta. Subi o elevador até ao 2º andar, onde se situam as consultas de ginecologia. Fui atendida por um médico que – quanto a mim, é um génio,  uma pessoa extremamente humana, meiga e sensível, o Dr . Daniel (Director de Ginecologia). “-Realmente, tem células pré- cancerígenas mas ainda não está muito grave, se estivesse teríamos que tomar as devidas providências.

O importante agora é seguir com a sua gravidez, e depois de nascer o bebé logo se vê, até pode ser que passe com o parto.” – disse-me.“-Que providências teriam que tomar, Dr?”“- Isso agora não interessa. O importante é levar a gravidez até ao fim. Vou-lhe marcar a consulta para Setembro.”Em toda a gravidez não pensei no assunto : HPV (papilomavirus humano) foi o melhor que fiz, quanto menos pensasse melhor – menos stress teria.A minha filha nasceu em Julho, de cesariana. Foi um acontecimento muito bonito.

Enviado por: Cristina Silva

 

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