Grito

 

 

 

 

 

 

 

Não quero de modo nenhum falar.
A voz atrapalha-me a fala, a fala silencia-me os gestos, e os gestos não justificam de modo algum o meu olhar. A voz parece querer gritar! Vociferar, libertar o grito que se esconde por dentro, como me obrigo a faze-lo. Apressa-se a passos largos ao encontro da alma. Essa que silencia a cada dia que passa a minha própria rouquidão. O olhar distancia-se. Isola-se dentro do seu próprio silêncio. E esse campo esta encerrado aos curiosos, aos que se aventuram, aos que pensam conhecer as razões de tal silêncio. Silencio que me incomoda a voz. A voz que não se liberta.

Faça-se silêncio então. (…)