O Último Papa (Luís Miguel Rocha)

Ler, ler e ler. É uma paixão! Só gostaria de ter mais tempo para ler (será um desejo válido para 2013?). Começarei a escrever regularmente neste site para partilhar convosco o maravilhoso universo da leitura, importante porque não só nos faz crescer intelectualmente, como nos consegue alhear desta realidade e levar-nos para o mundo da imaginação, dos sonhos…porque todos nós precisamos de sonhar para conseguirmos chegar mais além…

Um dos livros que mais me surpreendeu e conquistou foi, sem dúvida, o “Último Papa”, de Luís Miguel Rocha. É dele que vos venho falar hoje. Foi por esta obra que conheci um daqueles que, para mim, é dos melhores escritores contemporâneos dentro do seu estilo. E é português. O autor dos livros que “toda a gente lê no Vaticano mas que ninguém lê”, é um escritor ainda pouco conhecido e popular em Portugal. Incrivelmente, consegue melhores resultados de vendas nos Estados Unidos, onde esta obra conquistou a categoria de “best-seller” ao entrar para o top do New York Times. É polémico e controverso, mas que se pode pedir mais de um escritor que, para além dessas caraterísticas (na minha opinião positivas), domina como ninguém a arte da escrita?

Comecei por ler esta obra sem nada saber sobre o autor, apenas porque o tinha em casa. Confesso que não foi amor à primeira vista. Muito pelo contrário. Comecei a ler as primeiras páginas e não me despertaram qualquer curiosidade. No entanto, depois de alguns meses esquecido na estante de livros, resolvi fazer uma segunda investida. A partir daí, não o consegui largar. Mas acho que é mesmo assim. Luís Miguel Rocha é peculiar ao ponto de, primeiro, não lhe prestarmos muita atenção e, depois, nos fazer arrepender de o termos desprezado. A sua maior caraterística: um estilo muito próprio de escrever. Num tom satírico, que roça a ironia e o sarcasmo, consegue fazer-nos sentir que é o próprio autor (e não o livro) a falar connosco, a confidenciar-nos pormenores, a revelar-nos segredos que ficam (somente) perpetuados entre escritor e leitor. Sim, conteúdo muito ao estilo de Dan Brown, é verdade, mas quantos escritores já não seguiram este fenómeno norte-americano? Porque não mais um? Para quem gosta do género, Luís Miguel Rocha não desilude.

Mas quanto ao livro… Num “thriller” que mistura realidade e ficção, rico em mistério e suspense, o autor aborda a morte de Albino Luciani, conhecido como Papa João Paulo I, o Papa que teria transformado o mundo da Igreja que hoje se conhece. Oficialmente, terá morrido de causas naturais mas são muitas as teorias da conspiração. Depois de um telefonema entre uma jornalista portuguesa (Sarah Monteiro) e o pai, ela vê-se envolvida numa perseguição de cortar a respiração e entra numa rede de intrigas e segredos que põe a sua vida em risco. Esta personagem e um misterioso Rafael transportam-nos para um verdadeiro quebra-cabeças que se desenrola entre as ruas de Portugal, de Roma e do Vaticano e onde são abordados os assuntos mais controversos da atualidade. E quando pensamos que tudo acabou… eis que surgem novas reviravoltas e surpresas. Se enigmático não chega para descrever este enredo, então designá-lo-emos de arrebatador!

Mas desengane-se quem pensa que Luís Miguel Rocha chegou para ser o grande demolidor da Igreja. Religiões e fé à parte, a arte literária está lá. E por muito que o seu conteúdo esmiúce as sombras mais recônditas desta Instituição, uma história é uma história e, a existir parte verídica como alega o escritor, será a fé de cada um a ditar as crenças em que se acredita. Eu li o livro, assim como os seguintes, e em nada abalou aquilo em que eu poderei ou não acreditar. Aliás, deixo-vos uma frase que conserva toda a mestria sarcástica caraterística do autor e onde esclarece a divisão existente entre humanidade e espiritualidade, “um grupo de homens mal-intencionados, ainda que se ocultem por baixo de um hábito ou de um barrete vermelho, não faz toda a Igreja”.

Luís Miguel Rocha já tem novo lançamento marcado. Só o título do novo livro, “A Filha do Papa”, aguça bem a curiosidade dos que o seguem e dos que o temem. O autor até adiou o lançamento porque, à última da hora, decidiu mudar o final da história. Promete novas revelações e acesas polémicas. Está lançado o mote para um livro de sucesso nas bancas. Quanto a mim, espero ansiosamente uma obra como aquelas a que o escritor já nos tem habituado: mistério, sátira e suspense. E que seja para muito breve!

Muitas e boas leituras,
Oriana