Quando o amor acaba

Uma relação nunca é devolvida à medida do amor do outro. Há tempos que um se doa mais, solicita e perde um pouco de si, em nome daquela paixão. E, como um jogo de poder, vivemos buscando a liderança.

Por fim, ambos esgotados, ou apenas um, a relação chega ao fim. Em nome do respeito, das boas lembranças e do carinho, precisamos nos afastar. Se não para se resguardar, crescer ou se aventurar, pelo menos em nome daquilo que um dia foi tão grande, que mereceu o tempo dispensado. E, sempre tem um corajoso. Alguém precisa dar o primeiro passo e sugerir que não dá mais. Nunca esperamos que seja fácil entender. Afinal, fadada aquela relação, o primeiro a dar o passo final, tem maiores responsabilidades.

Em meio a dúvidas, nunca saberemos se o que estamos passando é uma crise ou se acabou. Mas precisamos provocar a mudança. E o corajoso sempre corre o risco de se arrepender.

Ouvir um “Adeus, muito obrigada, já não te quero mais…” é uma facada. Achávamos estar preparados. Mas não. O desmerecido, geralmente se humilha. Implora mais uma tentativa. “Juro que dessa vez será diferente.” Mas nem ele acredita nisso, tantas vezes essa frase foi repetida.

A verdade é que não existe como mudar nossa essência. Toda relação é povoada por defeitos mútuos. O que precisamos nos perguntar é: Consigo conviver com os defeitos dessa pessoa? O quanto isso me exige? Como poderemos ser lá na frente? Caríssimos, se existe dúvida, repense. O amor é uma certeza.

Mas e quando somos nós os responsáveis pelo término? Pela dor causada ao outro? Pela perda de um sentimento que foi um dia, tão belo. Não pensem vocês, descartados de plantão (e quem não foi um dia…?) que dar adeus é fácil.  Primeiro, porque perder o amor por alguém dói. A gente não sabe se um dia vai poder amar de novo. Não deixa de ser uma perda de nós mesmos. Daqueles que um dia fomos ao lado de quem mereceu, pelo tempo que for, importância fundamental em nossas vidas. E depois, é difícil porque não queremos causar dor. Afinal, mesmo que a paixão tenha cedido, o carinho dos momentos, sempre estará ali. É difícil porque jamais pensávamos ser alvo do ódio de alguém que nos prestou tanta dedicação. Dói porque a gente vai ter que enfrentar o mundo de novo e os novos desafios. Dói porque ninguém mais tem conosco aquela intimidade. Dói porque, em muitos momentos, findados na carência, estamos sós. E, nunca esqueceremos que, apesar de tudo, somos egoístas. Terminamos sim, mas ver o que foi seu ao lado de um outro alguém, corrói a alma, revira o estômago. Queremos provar nossa importância. Mas não temos esse direito.

Abdicar de alguém pode ser um erro. Uma precipitação. Ou um acerto. Quando não existe mais respeito, quando não existe mais um por quê. Mas dói igual. Mesmo que alimentar nossa auto-estima seja o maior passo de nossas vidas, o amor não se explica.

E, quando o amor acaba, fica o vazio. E o vazio é o pior dos sentimentos. É algo que não existe e não se preenche. É algo que não se alimenta, que não constrói. É um chuchu sem sal.

“O fim de todo amor é ruim, mas um grande amor não tem fim…”

Não amar é o mesmo que não viver. Todo adeus é dor. Sofremos ambos. Mas seguimos, certos de que ali na frente, quem sabe, um novo arco-íris.

Fim-da-Relação

 

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