Respeito obsoleto

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No outro dia, estava eu sentadinha no meu sofá a ler qualquer coisa quando fui desperta para uma notícia que me deixou boquiaberta. Pensam já vocês no tornado de Oklahoma e teriam toda a razão de o pensar não fosse a coisa, talvez, mais grave aos ouvidos de uma mãe. O jornalista dizia: “Maioria dos jovens acha normal violência no namoro”.

Ainda sacudi a cabeça e pisquei muitas vezes os olhos – não fosse eu estar a ouvir coisas – tentando acalmar a minha expressão incrédula pelas palavras ali destacadas. Endireitei as costas, coloquei os óculos e esperei que chegassem os pormenores da reportagem. Ao fim de tantos disparates não podia crer que estamos em pleno século XXI, e que os tempos de modernice não são mais que um recuo de comportamentos, a começar por estes jeitosos – os nossos jovens adolescentes de hoje, adultos de amanhã. Mas que raio de sociedade andamos nós a criar, a alimentar, a desenvolver? – Resmunguei eu sozinha já a ficar naquele estado de fúria crescente, típica de mães.

As miúdas diziam perfeitamente normal, o uso de insultos, de humilhações, o controlo de telemóvel, a proibição de vestir determinado tipo de roupas, o vasculhar de redes sociais, o regime horário de que são alvo por parte dos namorados, acrescentando ainda que tudo era indicador de proteção. – Estas são as nossas mulheres de amanhã!

Os miúdos referiam-se exatamente nos mesmos termos com a agravante de que bater era natural desde que não se deixassem marcas físicas, ou seja, toma lá disto que é normal. – Estes são os nossos homens de amanhã! Mais do mesmo…

Para vos ser franca, fiquei em estado de choque ao ouvir a garotada pronunciar-se sobre as relações, nestes termos, pois até à data da notícia, tinha em mente que namorar era qualquer coisa de extraordinário. E pelos vistos é, mas num conceito que, agora, desconheço e rejeito totalmente.  E não vou cair na ingenuidade de referir: no meu tempo era… Porque o meu tempo também é hoje.

 Podemos sempre desvalorizar, pensando que são, isso mesmo, garotos e que a tenra idade implica uma certa falta de maturidade e tal, mas, e depois? Como vamos trata-los quando se transformarem em homens ou mulheres agressores, em adultos submissos e assustados, em vítimas de violência, em pais e mães privados de liberdade, isentos de valores? A meu ver, este é um assunto grave e de urgente reflexão, ora se passou a ser tudo normal para esta camada mais jovem, também é notório que, nós pais, alguma culpa havemos de ter no cartório… A mim parece-me óbvio a falta de normalidade destes comportamentos mas, depois de os ouvir ainda me ponho a pensar se serei eu a atrasadinha, se sou eu que estou errada quando me indigno com tamanhas barbaridades, vindas da boca de um filho que poderia ser meu…

Um jovem que não conhece a palavra respeito aos 15 anos, nunca lhe saberá o valor pela vida fora.

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

 

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