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IDEIAS ÀS SEXTAS – Um Portugal nosso

 

Numa altura em que tanto se tem falado de “serviço público de televisão: sim ou não?” e de reestruturações na RTP, o Canal 1 estreia uma nova programação para os serões dos dias de semana. Entre músicas que não nos saem da cabeça, com Sílvia Alberto, às segundas-feiras; até trechos da nossa história contados com humor, às quintas-feiras; o destaque aqui vai para o “Portugal de…”.
Às quartas-feiras o jornalista Luís Osório, afastado dos ecrãs de televisão há mais de uma década, mostra Portugal aos olhos de convidados especiais. Em 40 minutos, o programa retrata um país tantas vezes esquecido, visto mais de perto, ou visto de outra perspetiva, pelas palavras de gente como o escritor José Luís Peixoto, o músico Boss AC ou o jornalista Ricardo Costa.

Os convidados levam-nos até ao lugar onde nasceram ou até às ruas onde moram para nos falarem do melhor de Portugal ou para nos mostrarem o quanto este país tem para dar. Pelo meio, tecem-se críticas ou lamentos, num tom confessional, intimista e descontraído, que torna o “Portugal de…” um reflexo daquilo que nós próprios, sentados no sofá, pensamos e desejamos para o país que temos. Os entrevistados, figuras de destaque das gerações a que pertencem, convidam-nos para uma espécie de diálogo franco entre vizinhos ou conterrâneos, enleando-nos nos seus pensamentos e nas memórias do seu passado.

Olhando para trás, pela voz de outros, o “Portugal de…” é um programa de futuro, de esperança e de ideias.

Boas ideias para um país que é de todos nós.

 

Em exibição

Canal 1 da RTP

Quartas-feiras

Depois das 22 horas

 

 

 

Até sexta, com nova ideia.

 

Andreia Rasga

www.refugiosdefelicidade.blogspot.com

IDEIAS ÀS SEXTAS – Dentro das memórias

Um livro pequeno, íntimo, confessional, fechado dentro de uma dor alheia que nos contamina, que se torna nossa, que se torna verdade. Palavras de um filho repletas da saudade do Pai desaparecido, levado pela doença, eternizado em tudo: na cal das paredes, na casa, na carrinha, na terra do jardim, nas gavetas, nas memórias. Sempre nas memórias.

“Morreste-me”, primeira obra de um dos maiores autores contemporâneos portugueses, José Luís Peixoto , levou a dor do escritor para dentro do livro e trouxe, à vista de todos, um talento ímpar, um dom especial.

Sandra Barata Belo e Cátia Ribeiro uniram as palavras de Peixoto, a história real de “Morreste-me” e o poder do palco para criarem uma hora de profundo recolhimento, onde ela, simplesmente a atriz no palco, e todos nós, na plateia, nos unimos para chorar com ele, para nos reerguermos com ele, o escritor.

Na peça a voz da atriz traz-nos a voz do autor, ela é o filho em luto ali filha, e leva-nos até ao Alentejo a uma casa vazia demais para tamanhas recordações, a uma casa dividida em caixotes pequenos demais para tamanho sofrimento.

O texto enleia-se nos caixotes que se abrem e fecham em revelações, nas imagens projetadas, na chuva feita lágrimas que saem da mangueira do jardim, da farinha espalhada no ar, quase neve, quase pó, nos pequenos momentos musicais de António Zambujo.

Tudo começa com as palavras de Peixoto. E só isso bastaria para valer a pena. Mas vai muito além do livro. Há uma atriz inteira, entregue. Há um cenário de descobertas. Há uma encenação de detalhes e de segredos. Há uma casa que nos recebe e um filho/filha imbuído de dor que precisa de nós, que precisa que soframos juntos. Para depois, se fecharem as janelas, as portas, o galinheiro e a coelheira, os caixotes e as despedidas, mas ficarem sempre, para sempre, o melhor que têm as memórias.

 

 

Em cena no Teatro do Bairro (Lisboa)

De 24 Jan a 03 Fev. 4ª a sábado às 21h domingo às 17h

Reservas: 213 473 358 ; 913 211 263

“Morreste-me” é uma adaptação para teatro da obra homónima de José Luís Peixoto

Interpretação: Sandra Barata Belo

 

 

Até sexta, com uma nova ideia.

Andreia Rasga

www.refugiosdefelicidade.blogspot.com

IDEIAS ÀS SEXTAS Na saúde e na doença, no amor e para o amor

“Amor” é um filme perturbadoramente silencioso, que fica a fazer barulho dentro de nós dias a fio, que nos pesa e nos inquieta, que nos sensibiliza e aterroriza. Tudo embrenhado no mais completo silêncio.

O realizador austríaco, Michael Haneke, fala-nos de um tempo em que falha a saúde, em que a falência do corpo não se compadece com a vivacidade da alma e em que o amor é, como nunca, cuidar, tratar, atender, atentar, ao outro. Aquele que é parte de nós por toda uma vida, que nos deu filhos, tempo, experiências, momentos e, agora, nos 80 da vida, se vê obrigado a pedir-nos tudo, a abdicarmos de nós mesmos para cuidarmos do nosso par.

Os atores Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant são os nossos rostos, as nossas rugas, as nossas fragilidades de um tempo que ainda não chegou mas está mais próximo do que auguramos.

A história apresenta-nos Georges e Anne, um casal octogenário com uma vida inteira dedicada à música e à cultura, cujo amor de toda essa vida é posto à prova quando Anne sofre um acidente vascular-cerebral que lhe paralisa metade do corpo.

Votados a si próprios, com uma filha (Isabelle Huppert) a viver no estrangeiro, contam apenas com a resistência de Georges para enfrentar a doença de Anne. Contam, acima de tudo, com o amor que os trouxe até ali para os levar só um pouco mais além.

Vencedor da “Palma de Ouro”, em Cannes, e candidato a melhor filme e melhor atriz principal nos próximos Óscares, “Amor” é um retrato da sociedade que temos, em que o fim da vida se faz muitas vezes de solidão, mas em que teimamos acreditar que o amor vale muito, que o amor vale tudo.

Título original: Amour
Idioma: Francês
Direção: Michael Haneke
Duração: 127 minutos
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Rita Blanco.
Ainda em exibição.
 

Até à próxima sexta, com mais uma ideia.

Andreia Rasga



Andreia Rasga tem 33 anos é mãe, mulher, jornalista, colecionadora de palavras e de ideias. Licenciada em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, desde muito jovem trabalhou em vários órgãos de imprensa e rádio. Há 9 anos que exerce funções como editora de livros das mais diversas temáticas e para todas as faixas etárias. É autora e formadora do Workshop “Fazer um Livro. Da Ideia ao Papel”. Mais informações em http://oficinasescritabertrand.blogspot.pt/
Escreve regularmente no blogue http://refugiosdefelicidade.blogspot.pt/e, agora, está presente no Sou Mulher Moderna todas as sextas.

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