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Sedução aos 60

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Era sábado e havia velas para soprar em casa de uns amigos. Um brinde aos 49 anos dela e uma fatia de bolo a acompanhar. Boa conversa, bom ambiente… E eis que alguém diz: – Podíamos ir a um baile!

Os meus ouvidos aguçaram-se pela saudade que tinha de dançar. Assenti com a cabeça em sinónimo de boa ideia e foi quando me apercebi que o meu marido olhava, curioso, para os meus dez centímetros de saltos, em jeito de – Quero ver como te vais safar! – Eu acompanhei-lhe o olhar e pensei instintivamente: – Que se lixe, em último caso, danço descalça! – Pisquei-lhe o olho e presenteei-o com o ar mais natural e descontraído que consegui. Levantei-me do sofá e ansiosa, disse-lhes: – Vamos lá, então!

O Salão de baile era o primeiro andar de uma churrasqueira típica Portuguesa. Um espaço amplo e acolhedor, com mesas compostas na fileira da parede, abrindo espaço para os pares de dançarinos que ali se juntariam. Fomos dos primeiros – talvez mesmo, os primeiros – a sentar-se, escolhendo a mesa mais perto do palco, já apetrechado para o início do espectáculo. A simpatia do dono fez-nos pedir, sem hesitar, um chouriço assado e quatro minis para acompanhar. No fundo, era o petisco que serviria de jantar naquele sábado – e que bela escolha, o chouriço era divinal.

Os primeiros casais começaram a assumir os seus lugares nas mesas e na pista. Aos primeiros acordes de Kizomba o meu corpo endiabrou-se e eu deixei de controlar os movimentos. Queria dançar, dançar e dançar. Descalcei-me, larguei os sapatos, arrumados, debaixo da cadeira e levantei-me com uma mão estendida para ele. Não lhe disse nada, apenas o mirei com ar convidativo, ele saberia ler-me a vontade nos olhos. Sorriu-me de imediato e levou-me a desenferrujar as articulações trintonas e empenadas. Os primeiros passos, completamente, descoordenados, lentos e mal ensaiados até sentirmos a empatia e o encaixe perfeito para desfrutar da música, nos braços um do outro, como outrora, fizemos nas aulas de dança. Ao fim de meia dúzia de pisadelas estaríamos prontos para embalar pista fora. Depois de uns quantos meses de jejum voltamos, finalmente, a dançar juntos.

No intervalo de uma música e uma mini, dada a uns minutos de descanso – ao corpo desabituado – e embrenhada na conversa, despertou-me a atenção, um casal sentado, uma mesa atrás de nós. A serenidade que os envolvia e a certeza no olhar, de assim se quererem manter.

A julgar pela suavidade do rosto dar-lhes-ia cinquenta anos, a julgar pela maturidade da expressão, adivinho-lhes sem dúvida os sessenta. Observei-os, disfarçadamente, pela paz que me transmitiam os dois, compenetrados um no outro. Eis que ela se levanta, ao toque da música, pega-lhe delicadamente na mão e trá-lo ao encontro da dança. Não precisaram de acertar o passo ou desenferrujar as articulações, deslizaram pela pista numa coreografia única e de olhos fixos sorriram em simultâneo com os corpos encaixados, harmoniosamente.

Ela trazia um vestido traçado – pintado de preto e tigresa – que lhe pendia, muito acima do joelho, com uma racha sobre a perna direita, deixando sob o vislumbre alheio toda a sua sensualidade, aos sessenta anos. O ventre era liso, a cintura fina e as ancas moldadas na perfeição, o que invejaria muitas mulheres de vinte. Ele, elegantemente, vestia um fato azul-escuro sobre uma camisa branca. Ela dançou para ele, rodopiando sobre os seus braços, ao mesmo tempo que o brindava com o sorriso terno de quem ama. De quem se dedica ao amor e, o partilha em qualquer momento, mesmo que seja aos sessenta anos. Seduziu-o com toda a sua elegância e classe, deixou que ele a admirasse, como ela o fazia – e fizeram ambos, durante uma vida juntos.

Isso, ninguém precisou de perguntar; estava estampado no rosto, no olhar, no toque meigo das mãos, na forma de abraçar, na partilha dos corpos simétricos e na tranquilidade que ofereceram um ao outro, sob o olhar atento duma sala, que se levantou para os aplaudir efusivamente.

Olhei para o meu marido, que também os admirava tal como eu, e esbocei-lhe um sorriso com os olhos. Ele devolveu-mo com os braços e ambos segredamos: – É por isto e para que possa valer a pena envelhecer, que te quero amar.

Serei sexagenária e será; na expressão do rosto dele, que verei toda a minha sensualidade.

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

Saudades do que não vivi…

foto saudades do que não vivi

Saudades do que não vivi
Às vezes, sentimos saudades de tudo que não vivemos…Um beijo mais demorado, um abraço sem fim. Um adeus não terminado. Um agora sem depois.
Vivemos momentos inesquecíveis que sentimos saudades. Mas, mais do que deles, sentimos saudades do que poderia ter sido e não foi, do que esperávamos e não se concretizou…
Os amores podem se renovar. Outros abraços aconchegarem. Outros olhares devorarem. Mas, sempre ficará a dúvida do que podia ter sido e não foi… Porque na imaginação os amores, os desejos, o sexo, tudo é perfeito. O amor é “um fogo que arde sem doer” o tempo todo. Ficamos apaixonados 24 horas por dia por anos e anos e sempre trememos com um simples toque.
Há um frio na barriga e o coração a saltar. Os olhos, às vezes, parecem procurar a pessoa amada onde ela não está. Talvez, porque esteja tão perto do coração que confunda o olhar…
Muito romântica? Não, apenas com saudade…Você já se sentiu assim?
Acredito que nossa imaginação podem tornar a vida mais bem vivida. Mais alegre, divertida. De vez enquanto podemos mudar o começo, o meio ou o fim…Sentir apenas pelo prazer de sentir, sem deixar que se torne tristeza.
Na realidade os relacionamentos têm roteiros mais realistas e com menos direito a “slow down”. Sem direito a cortes. Gravou ficou. O que pode ser feito é uma mudança no final. Nos sonhos tudo é lindo, perfeito, com direito a alterações sem consequências. Com direito a um errinho ou um “errão”. Não deve ser por acaso que sinto saudades do que não vivi! E você?

Sobre a Autora:  Eliana Monteiro é Mestre em Sexologia, Especialista em “Sexualidade Humana”  e em “Gestão de Pessoas e Projetos Sociais”. É Graduada em Psicologia e Teologia, professora universitária e autora de várias pesquisas realizadas e divulgadas no Brasil e no exterior.

Quer ler outros outros artigos da autora? É só escrever Eliana Monteiro na área de pesquisa do site http://soumulher.pt

Quem te fez Mulher?

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Então e queres dizer-me quem te inventou? Quem te pôs no mundo, assim em forma de mulher? – Quis ele saber.
Eva sentiu uma névoa de timidez cobrir-lhe o rosto, corando-lhe a pele pálida. Baixou o olhar, e não ousou responder. Entrelaçou os dedos, finos e compridos, e pousou-os no colo. Não lhe era fácil a resposta.
– Porque me atormentas com as linhas do teu corpo? – Continuou ele.
Eva deixou que o silêncio da primeira pergunta se estendesse à segunda. Sentiu-lhe a confusão, disfarçada de doçura na voz. Manteve os olhos baixos.
– Porque me enfeitiças com palavras? Hã?… Fala-me mulher! – Disse exasperado, sentindo o tormento de ter – na sua frente – uma mulher, mesmo que tímida e sem voz.
Eva permitiu-se erguer a face, deixando que o brilho dos seus olhos o encadeassem, dos lábios esboçou um leve e terno sorriso, como se por fim, tivesse encontrado a resposta. Levantou-se e pegou-lhe nas mãos, paralisando-o. Fitou-o intensamente e começou:
– Adão, talvez o nosso criador estivesse errado quando decidiu criar-me assim, em forma de mulher, como tu dizes, mas -talvez – compreenda o seu erro; quando carrego no meu ventre, um filho teu. Quando acendo a lareira para te aquecer, em noites de frio. Quando te preparo o jantar e o tempero ao teu gosto, quando tens febre e te arrefeço a testa, quando queres chorar e te tomo as lágrimas, quando te enfureces e com carícias te acalmo, quando me chamas de mulher e eu, simplesmente, te respondo: – Estou aqui!
Adão bebia das suas palavras sem respirar.
Eva continuou:
– Talvez tenha sido um erro do criador, mas é por causa desse mesmo erro, que me tens aqui… E que soberbamente, me apelidas de Mulher, quando, no fundo, me devias apelidar de Mais que Mulher!

Feliz dia da Mulher

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

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