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(Des)conhecido

paixao

O tempo vai passando e com ele as relações vão-se cobrindo num véu de dúvidas e incertezas que as amaldiçoam, sem os próprios protagonistas se aperceberem ou, simplesmente, resignam-se a ignorar os primeiros sinais.

O que um dia seria um amor eterno – nas promessas trocadas -, um jogo de sedução, tantas vezes alimentado com olhares provocadores, com danças eróticas, esvanece-se num prazo limite de tempo. A intimidade vai-se perdendo à medida que o jogo vai arrefecendo, que as preocupações diárias se tornam a prioridade das relações. De repente, a pessoa que conhecíamos passou a ser a tal que desconhecemos, ou que deixamos de ter tempo para conhecer.

Não, não deixamos de conhecer a pessoa que nos prometeu amor eterno, deixamos sim, de penetrar o seu íntimo, de lhe sentir a força que nos enlouqueceu um dia. Cegamo-nos com o desconhecido que vive connosco, afastando os sentimentos que, em tempos, nos permitiram prometer também.

Neste impasse, nada melhor que reacender essa chama, sem receio, sem medo de jogar no erotismo, que pode ser uma relação. Sem medo de descobrir o amor adormecido, lá bem no fundo, como um coma.

Peça, gentilmente, aos avós que exerçam a sua função e fiquem com os netos, naquela noite. Sim essa mesma! A noite em que voltará a pôr à prova a sua capacidade de sedução.

Compre aquela lingerie, sexy, que viu na montra em promoção. Não, não tenha receio. Vai-lhe ficar a matar!

Tire do armário o vestido escondido e sim, vista-o! Acompanhe-o com aqueles saltos, arrumados na caixa há meses. Sim, esses mesmos.

Coloque as gotas de perfume que ele tanto adora e envie-lhe uma mensagem. Sim, uma mensagem para o telemóvel. Atreva-se a provoca-lo nessas poucas palavras. Marque-lhe a hora, o local e arranque: Espere-o lá… Sim, a esse desconhecido com quem vive. Trate-o como isso mesmo, um desconhecido e deixe o encanto do momento, alimentado pela sua sedução, fazer o resto… Nada melhor que um primeiro (re)encontro para voltar a (re)conhecer o seu (des)conhecido.

A sedução é um papel que se interpreta a dois, num cenário que é a relação.

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

Um dia havemos de trocar de braços

Há uns anos, numas férias na Quarteira; estendida na minha toalha, de corpo estatelado ao sol e embrenhada no livro de Ricardo Salgueiro, fui desperta por uma cena que me habita na memória até hoje.

Era cedo e o sol já desinquietava o ar num calor abrasador. Decidimos, mesmo assim; pegar no chapéu, nas toalhas, na tralha dos miúdos (que não é pouca) e pôr pés ao caminho, direito à praia. Não era longe nem era perto, era ao fundo da rua. Com a bola a rolar entre os pés dos quatro, paramos para bebericar um café. O costume. – Manhã sem café, não é manhã! –  E isto, é das poucas coisas que não se alteram nas férias.

A voz dos pescadores clandestinos ressoava de um recanto do Mercado, como se ali fosse o verdadeiro negócio da China. Gente aglomerada – em volta deles -, traduzia isso mesmo, boas compras na clandestinidade da pescaria.

Logo à frente, descemos o passeio e postamo-nos no areal, como verdadeiros turistas, tendo em conta a quantidade de bugiganga que carregávamos, para uma simples manhã. Os miúdos entretidos num jogo de pisa e foge com o mar, deixavam-nos descansados para desfrutar das primeiras leituras, intercaladas entre jornais e livros.

O descanso mesmo que saboreado, nunca é total quando se tem duas crianças, com força de viver, de correr, de brincar e tudo o que envolve as palavras. Levantei-me para lhes lançar uma espreitadela e, foi aí que me distraí por completo ao presenciar um casal de idosos, ali mesmo ao lado.

Ele aparentava uns 80 anos, ela mais nova, talvez 70, diria eu. Sozinhos, na sombra do chapéu; ela sentada numa típica cadeira de praia, ele na toalha. Vejo-a levantar-se e hastear-lhe a mão para o erguer. Caminharam os dois na direção do mar; ele, muito lentamente, ela a acompanhá-lo na sua dificuldade de se mover. Pararam, no rebentar das poucas e leves ondas, o tempo dele calçar uns sapatos de água. Nesse instante, ela deu-lhe o braço, como apoio e guiou-o mar adentro até a água lhe cobrir as coxas. O meu coração parou e confesso que pensei: – Vão cair!

No impulso deste meu desabafo, ele atira-se num mergulho e começa a nadar como se não tivesse corpo. Como se o mar o libertasse do peso da idade e lhe devolvesse, gentilmente, a ligeireza da juventude. Todo o peso que carregava na areia desvanecia-se ao nadar, sob o olhar atento da esposa que entretanto o observava enternecida, pronta para lhe oferecer – quem sabe – os seus próprios braços.

A cumplicidade da velhice, não é mais do que, ter alguém com quem trocar de braços.

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

Quanto você vale?

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Quanto você vale?
Você saberia responder o quanto você vale? Muito!!! Certamente, seria uma resposta bem frequente. Mas, outra que possivelmente surgiria é: ”Sei lá, nunca parei para pensar nisso antes”. Contudo, saber a resposta é muito importante no “mercado” dos relacionamentos amorosos.
Lembro-me de uma história que contava que, certa vez ,uma pedra preciosa estava para ser vendida em um antiquário como uma pedra de menor valor. Como não estava lapidada, polida e com o devido valor anunciado, nínguém, eu disse, ninguém a notava. Os olhares passavam por ela como se ela não existisse. Até que um dia, um especialista chegou, notou o erro e, imediatamente, comprou a pedra por um valor muito menor do que ela valia.
Acredito que muitas pessoas estão a espera deste especialista que saiba reconhecer o seu valor em um estado bruto e não lapidado. Mas, não se engane, às vezes, ele nunca aparece. Estar nos lugares errados, com pessoas que lhe substimam, não ser o melhor que pude ser em todos os níveis (intelectual, físico, pessoal etc…) e, principalmente, não se dar o valor devido, faz com que, muitas vezes, a pessoa não seja notada, querida, desejada, amada…
Mas como saber o valor que tem sem se conhecer? Resposta: não há como saber. É necessário se conhecer antes. Ligue agora para qualquer concessionária especializada na compra e venda de carros e diga: quero vender meu carro, quanto você paga? A pessoa nunca, eu disse nunca, dirá um valor sem lhe pedir algumas informações antes…
Como me conhecer? Você pode questionar. Pergunte para si mesmo, sem que nínguém ouça a resposta: Quais são minhas características? Quais os meus pontos fracos? Quais os meus pontos fortes? Sou admirada pelo que? Preciso melhorar em que áreas? e assim por diante… Quanto tiver um cenário mais claro a respeito de si, pense SEM PRESSA no que é importante para você. Não aceite nenhuma oferta que lhe ofereça menos do que vale. A vida amorosa não deve aceitar barganhas. Você é um exemplar único. Não consigo imaginar, uma obra de Pablo Picasso em promoção, por exemplo!
Segundo o cientista Social Robert Sterberbg, autor de vários livros sobre inteligência, pessoas bem sucedidas sabem discernir seus pontos forte e fracos, e entendem como tirar proveito dos seus pontos fortes e compensar ou corrigir as suas fraquezas. Estas pessoas conseguem alcançar um equilíbrio funcional de suas habilidades.É preciso ser inteligente nas esolhas amorosas.
Todo este auto-conhecimento, certamente, proporcionará uma entendimento mais abrangente do que “tem a oferecer”e do que quer receber “em troca”. Mas, se mesmo assim continuar sem saber “quanto cobrar”, lembre-se de NUNCA aceitar menos do que o que lhe faça feliz. O “preço” mínimo que sugiro é: alguém que lhe faça pensar: “ minha vida é, com certeza, mais feliz com ele do que só…”

Sobre a Autora:  Eliana Monteiro é Mestre em Sexologia, Especialista em “Sexualidade Humana”  e em “Gestão de Pessoas e Projetos Sociais”. É Graduada em Psicologia e Teologia, professora universitária e autora de várias pesquisas realizadas e divulgadas no Brasil e no exterior.

Quer ler outros outros artigos da autora? É só escrever Eliana Monteiro na área de pesquisa do site http://soumulher.pt

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