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Quem te fez Mulher?

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Então e queres dizer-me quem te inventou? Quem te pôs no mundo, assim em forma de mulher? – Quis ele saber.
Eva sentiu uma névoa de timidez cobrir-lhe o rosto, corando-lhe a pele pálida. Baixou o olhar, e não ousou responder. Entrelaçou os dedos, finos e compridos, e pousou-os no colo. Não lhe era fácil a resposta.
– Porque me atormentas com as linhas do teu corpo? – Continuou ele.
Eva deixou que o silêncio da primeira pergunta se estendesse à segunda. Sentiu-lhe a confusão, disfarçada de doçura na voz. Manteve os olhos baixos.
– Porque me enfeitiças com palavras? Hã?… Fala-me mulher! – Disse exasperado, sentindo o tormento de ter – na sua frente – uma mulher, mesmo que tímida e sem voz.
Eva permitiu-se erguer a face, deixando que o brilho dos seus olhos o encadeassem, dos lábios esboçou um leve e terno sorriso, como se por fim, tivesse encontrado a resposta. Levantou-se e pegou-lhe nas mãos, paralisando-o. Fitou-o intensamente e começou:
– Adão, talvez o nosso criador estivesse errado quando decidiu criar-me assim, em forma de mulher, como tu dizes, mas -talvez – compreenda o seu erro; quando carrego no meu ventre, um filho teu. Quando acendo a lareira para te aquecer, em noites de frio. Quando te preparo o jantar e o tempero ao teu gosto, quando tens febre e te arrefeço a testa, quando queres chorar e te tomo as lágrimas, quando te enfureces e com carícias te acalmo, quando me chamas de mulher e eu, simplesmente, te respondo: – Estou aqui!
Adão bebia das suas palavras sem respirar.
Eva continuou:
– Talvez tenha sido um erro do criador, mas é por causa desse mesmo erro, que me tens aqui… E que soberbamente, me apelidas de Mulher, quando, no fundo, me devias apelidar de Mais que Mulher!

Feliz dia da Mulher

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

(Des)conhecido

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O tempo vai passando e com ele as relações vão-se cobrindo num véu de dúvidas e incertezas que as amaldiçoam, sem os próprios protagonistas se aperceberem ou, simplesmente, resignam-se a ignorar os primeiros sinais.

O que um dia seria um amor eterno – nas promessas trocadas -, um jogo de sedução, tantas vezes alimentado com olhares provocadores, com danças eróticas, esvanece-se num prazo limite de tempo. A intimidade vai-se perdendo à medida que o jogo vai arrefecendo, que as preocupações diárias se tornam a prioridade das relações. De repente, a pessoa que conhecíamos passou a ser a tal que desconhecemos, ou que deixamos de ter tempo para conhecer.

Não, não deixamos de conhecer a pessoa que nos prometeu amor eterno, deixamos sim, de penetrar o seu íntimo, de lhe sentir a força que nos enlouqueceu um dia. Cegamo-nos com o desconhecido que vive connosco, afastando os sentimentos que, em tempos, nos permitiram prometer também.

Neste impasse, nada melhor que reacender essa chama, sem receio, sem medo de jogar no erotismo, que pode ser uma relação. Sem medo de descobrir o amor adormecido, lá bem no fundo, como um coma.

Peça, gentilmente, aos avós que exerçam a sua função e fiquem com os netos, naquela noite. Sim essa mesma! A noite em que voltará a pôr à prova a sua capacidade de sedução.

Compre aquela lingerie, sexy, que viu na montra em promoção. Não, não tenha receio. Vai-lhe ficar a matar!

Tire do armário o vestido escondido e sim, vista-o! Acompanhe-o com aqueles saltos, arrumados na caixa há meses. Sim, esses mesmos.

Coloque as gotas de perfume que ele tanto adora e envie-lhe uma mensagem. Sim, uma mensagem para o telemóvel. Atreva-se a provoca-lo nessas poucas palavras. Marque-lhe a hora, o local e arranque: Espere-o lá… Sim, a esse desconhecido com quem vive. Trate-o como isso mesmo, um desconhecido e deixe o encanto do momento, alimentado pela sua sedução, fazer o resto… Nada melhor que um primeiro (re)encontro para voltar a (re)conhecer o seu (des)conhecido.

A sedução é um papel que se interpreta a dois, num cenário que é a relação.

Autora: Carla Pais

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Desafio sem limites

Tantas e tantas vezes que nos enchem o rosto de beijos, que nos surpreendem com palavras, estupidamente, dóceis  capazes de derreter um cubo de gelo. Os nossos filhos. É deles que vos quero falar hoje, neste medíocre artigo.

O dia em que se faz o teste. O tal, que em minutos pode mudar por completo a nossa vida. Os dois tracinhos que aparecem, depois da palheta tocar a nossa urina – grávida – é o estado a partir dali. Em condições normais, a alegria que nos penetra o corpo e nos invade o coração, transforma-se em sentimentos que nunca poderíamos sentir, antes de deixar a palheta colidir com o que resta da bexiga.

Tudo muda, até o corpo. Numa mudança consciente, tudo vai ganhando forma. As curvas que se delineiam, o peso que aumenta – substancialmente – e, de repente, já nada serve de agasalho. Crescemos para os lados e inchamos por dentro a cada vez que, orgulhosamente dizemos: – Vou ser mãe!

A primeira ecografia, o milagre da tecnologia, permite-nos conhecer um Ser, que carregamos dentro de nós e protegemos por impulso, pelo prazer de o ver e sentir crescer, saudavelmente.

A ansiedade do primeiro confronto é-nos particularmente difícil, pelo cansaço do corpo em permanente mudança, até que inesperadamente os primeiros sinais da dita hora (em tempos, agora escolhe-se o dia). As contrações, o rebentar das águas, a aflição do pensamento que grita, incessantemente: É agora, é agora, é agora… Como se nos alertasse para o óbvio: A hora do parto!

O parto, um mero e doloroso, pormenor que se apaga da memória segundos após o primeiro choro, aquando a enfermeira nos brinda com a primeira imagem, o primeiro toque e aí; não há mãe que resista a lágrimas. – O nosso bebé – Ao mentalizar o pai, que a esta altura, começa a prever as noites em branco.

Finalmente, o primeiro rebento fomenta a ideia de família, a necessidade que temos, no imediato, de o proteger e amar incondicionalmente. Sem livro de instruções, recebemos o nosso primeiro filho como uma bênção e um novo desafio. Um desafio transformado num compromisso sem, direito a divórcio.

Ser Pai é assumir uma profissão, 24 horas por dia, durante uma vida.

Autora: Carla Pais

http://decarlapais.wordpress.com/

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