VIDA

VIDA
Gosto de falar sobre a vida. Já tanta gente fala sobre psicologia/pedagogia, que me parece mais interessante falar convosco sobre a vida. Perdoem-me se sinto que falo directamente com cada um de vocês que tem a amabilidade de me ler, mas é assim, nesta relação que estabeleço com os leitores imaginários, que encontro inspiração para escrever mais estas breves linhas sobre a Vida.
É a minha vida, mas é também a vossa vida e a a vida de cada um de nós. Claro que a minha formação contribui e muito para me ajudar nesta introspecção que faço durante esta minha passagem por este mundo. Mas, acreditem, apesar de toda a formação que se possa ter, nada importa mais do que aquilo que se aprende vivendo. Só, ou numa relação com os outros, que passa pelo vizinho do lado, pelo senhor do café, por alguém que se senta perto de nós num transporte público, ou espera connosco numa fila imensa de uma qualquer repartição pública, e que parece não ter fim…
As relações que se estabelecem uns com os outros, são deveras importantes na construção da nossa identidade e do nosso ser. Há pessoas que passam por esta vida sem que nunca se tenham verdadeiramente relacionado com alguém. Por opção, por escolhas que se fazem, por caminhos que ficam por percorrer, por se desistir ou nunca se tentar ir mais além, mas também por variadíssimas razões que só ao próprio importa conhecer. O que é certo, é que todos nós precisamos, pelo menos uma vez na vida, de nos relacionarmos com alguém.
Os afectos, são o que mais importa assimilar ao longo do tempo. Os vínculos que se estabelecem e perduram no decorrer da nossa existência são tudo aquilo que fica e marca a nossa posição durante a vida. Quando se cresce sem uma base sólida, sem um processo vinculativo suficientemente forte que seja capaz de nos suportar quando dele necessitarmos, o mundo irá desmoronar-se ao mínimo solavanco que a vida nos der. E se esta nos prega partidas…. e de que maneira. Por mais difícil que possa ser o levantar depois da queda, acreditem que há sempre uma alternativa, uma solução para cada problema. Por vezes somos nós que estamos tão inundados de pensamentos negativos, e em arranjar desculpas para não os resolvermos, que não nos sentimos ser capazes de ver as soluções mais simples que nos circundam, e que nos podem “salvar”. Todo o ser humano tem mais força dentro de si, do que aquela que imagina. O passo seguinte é não esmorecer, não desanimar, mesmo perante o que parece ser irresolúvel.
No 1º ano do meu curso, uma amiga ofereceu-me um livro fantástico que nunca pensei que me acompanhasse até hoje. Regresso muitas vezes a ele à procura de respostas. Folheio as páginas ao acaso e, quase sempre, leio algumas palavras que me chamam a atenção. Não poderia deixar de vos dizer o seu nome pois penso que vos poderá ajudar igualmente. Não é um livro de auto-ajuda, é um livro que fala sobre a vida, sobre ligações, que nos compara ao ser animal, que nos remete para o nosso interior e para a nossa existência. É um autor soberbo, Boris Cyrulnik, e o livro dele de que vos falo chama-se “Sob o Signo dos Afectos”.
Se a vida nos permitir encontrarmo-nos outras vezes, falar-lhes-ei de outro autor igualmente interessante e fascinante… se existir uma outra vez. Até lá sorriam, sejam amáveis, abracem-se, enfim, relacionem-se, liguem-se uns aos outros. Vivam a Vida, com afectos!

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