VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: PSICOLÓGICA OU EMOCIONAL

O que é a Violência doméstica, já toda a gente sabe: qualquer ato de agressão física, psicológica, económica ou sexual praticada dentro de casa, no agregado familiar. A violência física está amplamente difundida, e é a que prevalece em maior número nas queixas pelas vítimas.

Mas pouco se fala na violência emocional.
Alguns casamentos são marcados por esta realidade cruel. Trata-se de uma situação um pouco mais complexa já que, nestes casos, as manifestações de amor são alternadas por tentativas sérias de destruição da auto-estima do outro. Aliás, muitas vezes, os períodos de tensão, seguidos dos períodos de agressão, são seguidos ainda por períodos de grade envolvimento amoroso, em que o agressor, depois da agressão, pede desculpa à vítima prometendo que não voltará a fazê-lo, fazendo juras de amor e seduzindo a vitima.

Este processo é reverte-se num ciclo vicioso.
Na maioria dos casos, estes casamentos podem parecer bastante funcionais para quem os vê de fora, nomeadamente porque não há marcas físicas da violência, e fazem questão de manifestar o seu amor com comportamentos afáveis em público. Contudo, as marcas podem ser mais profundas do que a violência física.
Este tipo de violência, tão presente em tantos casais é a mais silenciosa das formas de violência doméstica e, por isso, não é alvo da mesma atenção por parte da generalidade dos meios de comunicação social.

Este é um problema com tantas subtilezas que, muitas vezes, nem a própria vítima tem noção de que está a ser alvo deste tipo de abusos. O agressor escolhe o estilo manipulador para agredir o seu cônjuge, este pode levar algum tempo até se aperceber de que faz parte das estatísticas de violência doméstica. Por isso, importa identificar as especificidades deste tipo de relação.

Violência doméstica

Esta manipulação é uma ferramenta a que o cônjuge agressor recorre com frequência, bem como o humor sarcástico. Nesse sentido, o cônjuge agredido (ou a vítima) é acusado(a) de estar na origem de todos os problemas do casal, para se sentir culpada. Mais: através de cenas mais ou menos melodramáticas (características das personalidades histéricas), que podem incluir choro e gritos desmesurados.Esta característica estende-se a outras áreas da vida, já que estas pessoas tendem a considerar que todos os acontecimentos negativos da sua vida são da responsabilidade de terceiros.

Além disso, o agressor tende a minimizar todos os argumentos e queixas do cônjuge enquanto empola as suas próprias necessidades. Encara-as como mais urgentes ou mais importantes e, através de atitudes egocêntricas, procura a atenção contínua e a satisfação de todas as suas vontades.
Para isso, estas pessoas recorrem frequentemente a palavras depreciativas ou humilhantes, capazes de abalar seriamente a auto-estima do cônjuge. Note-se que este problema atinge todo o tipo de pessoas, mesmo aquelas comummente consideradas inteligentes ou cultas.

O agressor pode chegar a fazer acusações mais ou menos despropositadas do tipo “Tens um(a) amante”, das quais a vítima procura defender-se, gerando um ciclo vicioso. O facto de haver uma ligação emocional impede que a vítima se aperceba de que está a ser alvo de manipulação.

Mas os actos depreciativos não se esgotam por aqui. Normalmente o agressor usa a violência verbal para humilhar (ainda mais) o cônjuge. Sem dar conta, a vítima acaba por achar normal que, quando está nervoso, o agressor lhe chame nomes horríveis. Isto deve-se ao facto de estes actos serem normalmente seguidos de pedidos de desculpas mais ou menos lamechas em que o agressor não reconhece, de facto, o erro e, em vez disso, refugia-se no facto de “estar nervoso”. “Não ligues” pode ser uma frase recorrente. Ou seja, mais uma vez, as queixas da vítima são desprezadas.

Também as características positivas do cônjuge agredido podem ser alvo de chacota – “É a única coisa boa que tens” ou “Sem isso não eras nada” não são mais do que golpes baixos numa tentativa de destruir a auto-estima do outro e, assim, conseguir controlar a relação.

Estes ciclos viciosos podem agudizar-se se o agressor conseguir alcançar um dos seus objectivos: afastar a vítima de todas as pessoas que possam ajudá-la a identificar o problema. Se a manipulação atingir este nível, o cônjuge agredido pode levar mais tempo a reconhecer que está a ser alvo de abusos.

Lembre-se: amar não é isto. Existe ajuda, procure ajuda se é vítima, aconselhe ajuda também ao agressor.

 

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